
É a disputa do milhão com o milzinho…
Em um trabalho do repórter Gabriel Moreira, o portal spriomais fez um levantamento do dinheiro recebido até agora pelos candidatos a deputado federal e a deputado estadual de São José dos Campos. Claro, esses números, extraídos do portal do TSE, podem mudar a toda hora, de acordo com doações e repasses dos partidos, via Fundo Partidário. Mas, mesmo parciais, eles abrem um leque de análises possíveis sobre a corrida por uma vaga na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa do Estado nas eleições de 4 de outubro. E, repetindo, é a disputa entre o milhão e o milzinho.
Existe um bloco de candidatos que receberam mais de R$ 1 milhão, segundo o TSE, encabeçado por Renata Paiva (MDB), candidata a deputada federal, que registrou R$ 2.073.000,00.
Depois, nesse bloco, estão Eduardo Cury (PL), candidato a deputado federal, com R$ 1.500.000,00; Letícia Aguiar (PL), candidata à reeleição como deputada estadual, com R$ 1.200.000,00; e Milton Vieira (Republicanos), que tenta a reeleição à Câmara Federal, com R$ 1.095.000,00.
Eles formam a dianteira da tropa, uma espécie de Flamengo e Palmeiras no Brasileirão 2026, com uma boa vantagem sobre os demais.
O que explica isso?
É a prova política de um ditado conhecido: quem tem padrinho, não morre pagão. Na posta está Renata Paiva, candidata adotada por Felicio Ramuth (MDB), tendo trocado 30 anos de militância no PSD pelo MDB junto com a migração do vice-governador do Estado. Pelos dados oficiais, está com “bala na agulha”.
Eduardo Cury é aliado de Rogério Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro a presidente da República. Aliás, Cury coordenou a montagem do plano de governo de Flávio antes de se lançar candidato a deputado federal.
Letícia Aguiar é ligada a Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, e a André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) e candidato ao Senado pelo PL.
E Milton Vieira tem, além da proteção da Igreja Universal, a benção de Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos e um dos políticos mais influentes do Congresso Nacional.
É “chumbo grosso”…
Os candidatos aliados a Gilberto Kassab, chefão do PSD, não tiveram tanta sorte até agora: Marcão da Academia (PSD), candidato a deputado estadual, recebeu, até o fechamento da lista, R$ 205.000,00; e Cláudio Apolinário (PSD), que tenta a Assembleia Legislativa, R$ 200.000,00. Até aqui, o “padrão Kassab” foi duzentinho…
E mais
Tem também um bloco intermediário, que ficou entre R$ 806.000,00, de Robertinho da Padaria (PRD/SDD), ao Dr. Elton (União Brasil), com R$ 511.000,00, que inclui ainda Dulce Rita (União Brasil), com R$ 602.000,00 e Bárbara Hanelore (PL), a Babi Mendes, com R$ 600.000,00.
20 candidatos, de um total de 43, receberam menos de R$ 100.000,00, cinco deles não registrando repasse algum. É uma briga desigual, com certeza.
Claro, esses números podem e vão mudar, mas ele mostram a influência de cada candidato, o peso de seus “padrinhos” políticos e a aposta que cada partido ou coligação faz em nomes que considera mais competitivos.
Só isso garante voto? Não, muitos fatores influenciam o voto. Mas, em campanha eleitoral, dinheiro faz diferença. E, se você quiser entender como a política real funciona, na prática, longe do lero-lero oficial, faça como o ditado manda: siga o dinheiro.
Segue o baile…
PS: Siga o dinheiro é uma frase famosa no jornalismo, atribuída a “Deep Throat”, o “Garganta Profunda”, informante que revelou o escândalo de Watergate, que acabou com a renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon. A frase, em inglês — “follow the money” (soa melhor assim?) —, foi popularizada pelo livro e, depois, pelo filme “Todos os Homens do Presidente” (1976), que narra a investigação do caso, feita por jornalistas do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, e a derrocada de Nixon. Na dúvida, siga o dinheiro…