
O Grupo Casas Bahia protocolou, na noite de domingo (16), um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida envolve a própria companhia e outras nove empresas do grupo, com o objetivo de renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite às empresas com dificuldades financeiras renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça, evitando a falência e preservando empregos.
O que motivou o pedido
Segundo a empresa, a decisão foi motivada pelo agravamento do cenário econômico, marcado por juros elevados, restrição ao crédito, aumento do custo financeiro e enfraquecimento do consumo, fatores que reduziram sua capacidade de gerar caixa.
A empresa também não conseguiu concluir operações de captação de recursos consideradas essenciais para reforçar o caixa.
Loja no CenterVale fechada
A unidade da Casas Bahia no CenterVale Shopping, em São José dos Campos, amanheceu fechada na sexta (14), no mesmo dia em que o grupo iniciou o encerramento das operações de quase 300 lojas.
Em nota, o shopping informou que “a gestão e a renovação do mix de lojas fazem parte da dinâmica permanente dos shopping centers” e que “informações sobre qualquer decisão relacionada à operação das lojas são de responsabilidade de cada lojista”.
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Reestruturação começou em 2023
O pedido de recuperação judicial marca o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Em 2023, a empresa lançou um Plano de Transformação, fechando 55 lojas e reduzindo 8.600 postos de trabalho.
Em 2024, a Casas Bahia realizou uma recuperação extrajudicial, renegociando R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. No entanto, o cenário econômico continuou desfavorável.
Em agosto deste ano, durante a segunda fase do plano, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas.
Prejuízo bilionário
No domingo, a Casas Bahia também divulgou os resultados financeiros do segundo trimestre de 2026, com prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. Desse valor, R$ 9,1 bi são referentes a ajustes contábeis extraordinários e despesas relacionadas ao plano de reestruturação.
Apesar do prejuízo, alguns indicadores operacionais apresentaram melhora: a receita líquida cresceu 1,6%, chegando a R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas pela internet avançaram 15,3%.