
Ontem estive no 1° congresso do partido Missão, ou, como os adeptos do movimento preferem, “a missão” (com pronomes femininos).
O congresso marcou a apresentação oficial do Partido Missão e reuniu filiados, apoiadores e lideranças para apresentar as diretrizes da nova sigla, seus princípios e os primeiros passos rumo às eleições de 2026.
Um detalhe curioso: diferente da maioria dos eventos políticos, esse tinha ingresso. E não era simbólico. Os valores iam de R$ 94 no ingresso básico até R$ 7.014 no pacote mais completo. Sim, todo mundo que estava ali pagou pelo menos R$ 94 para participar.
Como o vice-presidente pelo partido, Aroldo Medina afirmou no palco, Renan Santos é um jovem de 42 anos autodidata, que “com seu cavalheirismo ameaça Lula e Flávio”.

Aroldo teve uma escolha muito interessante no seu discurso, que, assim como Jânio, decidiu usar uma vassoura como símbolo de varrer o Brasil.
O que é uma escolha interessante vindo de um militar, classe na qual repudiava o nosso presidente de “um pé pra cada lado”.
Mas talvez o que mais tenha me chamado atenção seja que Renan não foi apresentado apenas como o candidato do partido.
Em vários momentos ficou claro que ele é tratado como a principal liderança do movimento. Guto Zacarias resumiu bem essa relação ao afirmar que, “depois do meu pai e da minha mãe, o homem que mais mudou minha vida foi Renan Santos”.
O evento tinha várias curiosidades que valiam a pena ser mencionadas. O partido é claramente plural, tem diversas vertentes ideológicas dentro do movimento, até o já conhecido flerte monarquista de Renan.
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A Missão teve seu evento recheado de venda de bonecos do mascote, bandeiras e, o mais impressionante, livros. O partido escreveu o “livro amarelo”, com todos os ideais e linha política partidária.
O livro tem 14 capítulos e é dividido em três partes: Estado Novo, Reforma de Base e País do Futuro. O nome “Estado Novo” referencia diretamente Vargas, que Kim afirmou que “não devem matar Getúlio, e sim caminhar sobre seus erros e acertos”.
Para Kim Kataguiri, o MBL ter um partido é “não precisar mais pedir licença para ninguém para disputar as eleições”.



Mesmo sem dancinha de TikTok (como Flávio Bolsonaro faz), Renan Santos tem sido o candidato que mais cresce entre a geração mais nova.
O que eu achei impressionante em seu discurso é que Renan não é um leigo de história clássica, como seus adversários se mostram. Ele menciona passagens da história romana, faz comparações, cita mitologia e claramente flerta com imperadores romanos.
Fato curioso: o evento foi tudo o que o oposto do que o partido defende, foi monopolista (apenas um lugar para comprar comida), com burocracia desnecessária extrema na entrada e lento.