
O governador Tarcísio de Freitas foi oficializado neste sábado (1) como candidato à reeleição em São Paulo, em convenção estadual do Republicanos, realizada no Ginásio do Ibirapuera, na capital.
O evento contou com a presença de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, lideranças aliadas e de muitas caravanas do interior do Estado, entre elas, uma de São José dos Campos.
A convenção também oficializou o vice-governador Felicio Ramuth (MDB) como candidato a vice na chapa de Tarcísio nas eleições deste ano. No evento, Felicio usou uma camiseta da seleção brasileira com o número 10 às costas e os dizeres “Tarcísio é 10”, em referência ao número do Republicanos, partido do governador.
Também marcaram presença o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e os candidatos a senador: o deputado estadual André do Prado (PL) e o deputado federal Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública.
No discurso principal da convenção, Tarcísio agradeceu à sua mulher, Cristiane, a quem entregou flores, e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eu amo o seu pai. Eu amo Jair Messias Bolsonaro”, disse ele para Flávio, que estava junto no palanque.
Tarcísio também agradeceu ao apoio dos prefeitos, movimento que, segundo ele, já soma mais de 600 prefeitos do Estado. E elencou obras de seu governo, como a entrega do Rodoanel e o fim da Cracolândia em São Paulo, ação coordenada por Felicio, além de prometer investimento em segurança, transporte e saneamento em um eventual segundo mandato.
O discurso também teve um tom político. “O PT não vai governar São Paulo, nós não vamos permitir”, disse Tarcísio. E, em uma referência direta a seu principal adversário, Fernando Haddad (PT), lembrou que, quando prefeito, Haddad disputou a reeleição e perdeu no primeiro turno, recebendo menos votos do que brancos e nulos.
As críticas mais pesadas a Fernando Haddad (PT) na convenção do Republicanos foram feitas pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Haddad foi chamado por ele de “professorzinho de nariz empinado, incompetente e sem vergonha”. “Depende de nós ganhar em primeiro turno para poder varrer aquele que foi o pior prefeito de São Paulo”, disse.
Flávio
Apesar do esforço, a participação de Flávio Bolsonaro não empolgou. Em um discurso de quase 10 minutos, só ocorreram dois momentos de empolgação: quando Flávio citou Tarcísio e quando ele terminou sua fala com o lema do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.
Cheio no início do evento, o Ginásio do Ibirapuera esvaziou durante o discurso de Flávio. O evento, marcado para 9h15, demorou mais de duas horas para começar.
A festa do Republicanos foi sóbria, contrastando com a convenção nacional do PL, realizada no sábado passado, também em São Paulo, que teve a presença do presidente argentino, Javier Milei, e de uma imagem em IA de Jair Bolsonaro. Tarcísio chega à disputa amparado por aliança com 12 partidos. A coligação inclui legendas como Republicanos, MDB, PL, PSD, PP, União Brasil, Podemos, PSDB, Cidadania, Novo, Avante e PRD.
Tarcísio é o atual governador de São Paulo e vai tentar a reeleição depois de descartar a corrida pela Presidência da República. Ele foi ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro e trabalhou como secretário de Coordenação da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos durante os governos de Dilma Rousseff e Michel Temer.
Cenário
A convenção ocorre em um momento favorável a Tarcísio na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes. A pesquisa eleitoral mais recente em São Paulo revela que Tarcísio tem 41% das intenções de voto, enquanto Fernando Haddad (PT) ocupa a segunda posição com 26%.
Mais: o governo Tarcísio tem um índice de aprovação positivo, o que favorece sua candidatura. Segundo pesquisa Quaest divulgada ontem, o governo tem 55% de aprovação contra 29% de desaprovação, com 16% não respondendo à questão.
O risco, segundo aliados, está no plano nacional. Tarcísio quer administrar o nível de proximidade com Flávio, como uma forma de blindar-se das polêmicas que envolvem o candidato do PL.
Além disso, Tarcísio também quer manter distância de Ronaldo Caiado (PSD), apesar dos esforços de Gilberto Kassab (PSD), vice na chapa de Caiado e aliado do Republicanos no Estado, de trabalhar a dobradinha informal entre ambos, Caiado e Tarcísio, já batizada de “Carcísio”.