
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “marco lastimável” a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada na quarta (15), entra em vigor no dia 22 de julho.
Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou que repudia a decisão e que não há justificativa para medidas unilaterais contra o país.
O Brasil informou que iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, e também levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
O que está em jogo
A decisão americana pela tarifa é resultado de uma investigação comercial com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao governo dos EUA apurar supostas barreiras comerciais em outros países.
Os americanos acusam o Brasil de práticas como:
- PIX – alegam que o sistema prejudica empresas americanas de cartões de crédito;
- Desmatamento ilegal – apontam suposta falta de eficácia na fiscalização;
- Regulação de plataformas digitais – queixas das big techs americanas.
Entre os produtos afetados pela tarifa, estão: etanol, vestuário, calçados, papel e açúcar orgânico.
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O que fica de fora
Apesar do tarifaço, alguns produtos foram excluídos da taxação, como:
- Carne bovina e de frango
- Café
- Laranja
- Aeronaves civis e peças
O que o Brasil diz
O governo brasileiro rebateu as acusações. Em nota, afirmou que:
“São descabidas as alegações contra o PIX e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento. O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas.”
O Brasil também destacou que, segundo dados americanos, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit comercial com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2025, 76% das importações americanas entraram no Brasil sem pagar imposto.
Negociações e próximos passos
Equipes técnicas dos dois países se reuniram cinco vezes para tentar evitar o tarifaço, mas não chegaram a um acordo. O governo brasileiro agora examinará a lista de produtos e avaliará os próximos passos, incluindo a possibilidade de retaliar os EUA com base na Lei de Reciprocidade.
A nota oficial ainda criticou a atuação da “família Bolsonaro” no processo:
“São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros.”