Close Menu
    Sobre a spriomais
    • Institucional
    • Equipe
    • Contato
    Escute a rádio spriomais
    Facebook X (Twitter) Instagram YouTube LinkedIn WhatsApp
    • Institucional
    • Equipe
    • Contato
    Facebook X (Twitter) Instagram YouTube Spotify LinkedIn WhatsApp
    spriomais
    • Notícias
      • Cidades
      • Cultura
      • Especiais
      • Esporte
      • Geral
      • Made In Sanja
      • Meio Ambiente
      • Mulher
      • Polícia
      • Política
      • Tecnologia
      • Turismo
    • Colunas
      • + Arte na Cidade
      • Animais Ok
      • Berlim Esporte Clube
      • Código Fonte
      • Cozinha sem Chef
      • Curiocidades
      • Da janela do Helbor
      • ESG na Prática
      • Esquecimento Global
      • Fora do Cabide
      • Ofício das Palavras
      • Playlist de maestro
      • Todas as Claves
      • Viva
    • Podcast
    • Branded
    • Acontece spriomais
    • Publicidade Legal
    rádio
    spriomais


    Você está em:Início » Festa Junina: Como nasce uma tradição?
    Cozinha sem Chef

    Festa Junina: Como nasce uma tradição?

    Entre receitas, histórias, personagens e sabores, uma viagem pelas memórias que transformam costumes em patrimônio cultural
    1 de julho de 2026Updated:1 de julho de 2026Nenhum comentário10 Minutos de Leitura
    WhatsApp Facebook Twitter LinkedIn Email
    Compartilhe
    Facebook Twitter LinkedIn WhatsApp Email Copy Link
    (Créditos: Acervo Pessoal)

    Talvez essa seja uma das perguntas mais difíceis de responder. Afinal, ninguém acorda um dia e decide criar uma tradição. Ela simplesmente acontece. Às vezes nasce em torno de uma receita escrita à mão. Outras, da vontade de preservar costumes que insistem em sobreviver ao tempo. Depois de alguns anos, aquilo que parecia apenas um encontro passa a fazer parte da memória de uma família, de um bairro, de uma cidade, de um país ou de uma comunidade.

    Poucas manifestações representam tão bem essa ideia quanto as festas juninas. Reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, elas reúnem religiosidade, música, gastronomia, dança e um raro espírito comunitário. Vieram da Europa com os portugueses, mas encontraram no Brasil novos ingredientes, novos ritmos e novos significados. Cada região acabou moldando essa tradição ao seu próprio jeito.

    Quando pensamos nas grandes festas juninas brasileiras, a memória naturalmente viaja para o Nordeste. Não por acaso. Cidades como Campina Grande e Caruaru transformaram suas celebrações em grandes eventos culturais e turísticos, capazes de reunir milhões de visitantes sem abandonar suas raízes populares.

    Mas essa é apenas uma das formas de celebrar São João.

    Em centenas de cidades brasileiras, os arraiais continuam acontecendo em praças, igrejas, parques e comunidades, preservando o ambiente acolhedor que sempre caracterizou essas festas. É nesse cenário que o Vale do Paraíba e a Serra da Mantiqueira construíram sua própria identidade. Aqui, o inverno acrescentou novos ingredientes à tradição. O frio aproxima as pessoas das fogueiras. O chocolate quente divide espaço com o quentão. O pinhão encontra o milho, a canjiquinha e o bolinho caipira. Não é uma festa maior nem menor. É apenas o nosso jeito de celebrar.

    Talvez por isso tenha recebido, há poucos dias, um dos presentes mais valiosos que um apaixonado pela gastronomia regional poderia ganhar.

    Não era uma garrafa de vinho raro.

    Nem um antigo livro de receitas.

    Era uma simples folha de papel, escrita à mão.

    Nela estava a receita do bolinho caipira do Arraiá do Frederico, considerado por muitos o melhor de São José dos Campos. Recebi-a das mãos da filha da cozinheira que durante tantos anos preservou esse verdadeiro patrimônio da culinária regional.

    Mais do que uma receita, recebi um pedaço da memória gastronômica da nossa região. Um presente para ser guardado com o mesmo carinho com que foi preservado durante tantos anos. Permanecerá em segredo, não por egoísmo, mas por respeito à história que o acompanha. Algumas receitas pertencem tanto à comunidade quanto às pessoas que as criaram. Talvez seja justamente esse mistério que mantenha vivo o desafio de preparar um bolinho ainda melhor.

    Foi pensando na força dessas pequenas histórias que seguimos para Campos do Jordão.

    Nosso destino era o Parque Estadual do Horto Florestal.

    Chegamos cedo.

    Tão cedo que ainda era possível caminhar tranquilamente entre as barracas. As mesas aguardavam os primeiros visitantes, as fogueiras começavam a ser acesas e os músicos faziam os últimos ajustes antes da apresentação. O parque ainda guardava aquele silêncio que antecede os grandes encontros, quando tudo está pronto, mas a festa ainda respira fundo antes de começar.

    Pouco a pouco, os primeiros visitantes surgiam pelos caminhos do parque. Famílias chegavam de mãos dadas, crianças corriam em direção às brincadeiras e o aroma da lenha começava a tomar conta do ambiente. Em poucos minutos, o vazio deu lugar às conversas, aos reencontros e ao movimento característico de uma boa festa junina.

    Foi nesse momento que nos sentamos para conversar com Anderson Oliveira.

    Enquanto ao fundo a música caipira preenchia o espaço, as primeiras mesas eram ocupadas, as crianças descobriam a pescaria e os adultos iniciavam a noite entre um copo de quentão, um chocolate quente e as primeiras iguarias da festa. O arraial ganhava vida diante dos nossos olhos ao mesmo tempo em que Anderson começava a contar como tudo aquilo havia surgido.

    Nascido em Campos do Jordão, ele fundou o Restaurante Dona Chica ao lado do irmão, há treze anos. O nome escolhido não foi uma estratégia de marketing. Foi uma homenagem à bisavó, Dona Chica, uma mulher forte, mas ao mesmo tempo simples, cuja lembrança permanece viva na família.

    “O nome precisava trazer um pouco do que era nosso”, contou.

    E esse “nosso” vai muito além da família.

    Quando o Dona Chica abriu as portas, a proposta ia muito além de servir boa comida. Naquela época, a preocupação começava no campo. Muitos pequenos agricultores encontravam dificuldades para manter suas propriedades e alguns já pensavam em abandonar a produção. Valorizar os ingredientes da região significava também valorizar as pessoas que os cultivavam. Comprar diretamente desses produtores era uma forma de ajudá-los a permanecer na terra, incentivar a continuidade da produção e mostrar que a Serra da Mantiqueira possuía uma riqueza que ainda era pouco conhecida.

    Enquanto o Dona Chica construía sua história, a própria Mantiqueira também escrevia uma nova página da sua gastronomia.

    Novos produtores passaram a investir em pesquisa, qualidade e identidade regional. A região descobriu que podia produzir alguns dos melhores azeites extravirgens do país, queijos artesanais premiados, vinhos de altitude, cafés especiais, méis, cervejas e tantos outros produtos que hoje ajudam a projetar a Mantiqueira como um dos mais importantes polos gastronômicos brasileiros.

    O restaurante acompanhou essa transformação sem abandonar aquilo em que sempre acreditou.

    “A gente cozinha com o nosso quintal.”

    Anderson sorri antes de completar a frase.

    Não é apenas uma maneira de falar sobre ingredientes.

    É uma forma de entender a gastronomia.

    Hoje o Dona Chica está presente em três cenários completamente diferentes. O restaurante original permanece dentro do Parque Estadual do Horto Florestal, cercado pelas araucárias. O Dona Chica na Horta funciona em uma estufa de produção orgânica, na zona rural de Campos do Jordão. A unidade mais recente ocupa um espaço no Parque Capivari, no centro turístico da cidade.

    Os três restaurantes servem exatamente o mesmo cardápio.

    O que muda é o cenário.

    Em um, as araucárias fazem parte da paisagem. Em outro, a estufa e a horta aproximam o visitante da terra. No terceiro, o movimento do Capivari imprime outro ritmo à experiência.

    A cozinha, entretanto, permanece a mesma: profundamente ligada aos ingredientes, aos produtores e à identidade da Serra da Mantiqueira.

    Talvez o prato que melhor represente essa filosofia seja a Paella da Mantiqueira. Inspirada no clássico espanhol, ela ganhou uma releitura criada por um amigo da casa, substituindo ingredientes tradicionais por produtos da própria serra, como truta, pinhão e outros ingredientes regionais. Mais do que adaptar uma receita, o prato passou a contar, à sua maneira, a história da Mantiqueira.

    Questionado sobre o crescimento da gastronomia na Serra, Anderson não demonstra preocupação com a concorrência.

    Pelo contrário.

    Para ele, a riqueza da Mantiqueira está justamente na diversidade. Há espaço para restaurantes simples, sofisticados, tradicionais e contemporâneos, porque todos ajudam a valorizar os produtores locais e a fortalecer a identidade gastronômica da região.

    Talvez seja essa a maior riqueza da Serra da Mantiqueira.

    Não apenas produzir bons ingredientes.

    Mas produzir histórias através deles.

    Enquanto conversávamos, o parque já era outro.

    As mesas estavam ocupadas, as crianças iam de uma brincadeira para outra e a música caipira, acompanhada pelos clássicos do sertanejo de raiz, tomava conta do ambiente. Não demorou para que os primeiros casais se arriscassem em alguns passos de dança, enquanto outros preferiam apenas conversar ao redor das fogueiras, aproveitando o frio típico da serra.

    Entre uma barraca e outra, os aromas mudavam a cada passo.

    O perfume do caldo verde dividia espaço com a canjiquinha fumegante — quirera ou xerém, dependendo da região — preparada nas versões com carne suína e também vegetariana. Mais adiante surgiam os sanduíches de costela desfiada e de pernil, galinhada, arroz com porco, bolinho caipira, bolinho de queijo, milho verde, pinhão, pipoca, cachorro-quente e tantas outras receitas que fazem parte da memória afetiva das festas juninas.

    Para quem não resiste a um doce, bolo de fubá, arroz-doce, canjica, doce de abóbora, doce de batata-doce, maria-mole e outras guloseimas completavam a mesa.

    Chamava atenção, entretanto, aquilo que não se via.

    Não havia filas.

    As pessoas circulavam livremente entre as barracas, voltavam às mesas, conversavam, encontravam amigos e aproveitavam a festa sem a preocupação de perder lugar ou esperar longos minutos por um prato de comida.

    A explicação já havia sido dada por Anderson.

    Ao optar pelo sistema de open food, sua preocupação não era oferecer fartura apenas pela fartura.

    “Eu queria que as pessoas aproveitassem a festa.”

    E era exatamente isso que acontecia.

    Outro detalhe chamava a atenção logo nos primeiros minutos.

    Era Dona Chica.

    A personagem, inspirada na bisavó que deu nome ao restaurante, parecia transformar em presença aquilo que até então existia apenas na história contada por Anderson. Caminhava tranquilamente entre as mesas, acenava para crianças e adultos, parava para fotografias e seguia seu caminho sem dizer uma palavra.

    Enquanto isso, dois irreverentes caipiras, inspirados na figura do Jeca, percorriam o arraial levando o tradicional Correio Elegante. Em tempos de mensagens instantâneas, pequenos bilhetes escritos à mão continuavam cruzando a festa, transportados de mesa em mesa entre declarações de carinho, brincadeiras e muitas risadas.

    Assim como a receita manuscrita do bolinho caipira que deu início a esta história, aqueles pequenos pedaços de papel lembravam que algumas tradições continuam fazendo sentido justamente porque preservam o encanto da simplicidade.

    Pescaria, corrida de saco e outras atividades tradicionais mostravam que nem toda diversão precisa de telas ou internet. Bastava um prêmio simples, algumas risadas e a disposição de brincar.

    A música mudou de ritmo.

    Alguém puxou a primeira fila.

    Sem qualquer cerimônia, crianças, pais, avós e amigos passaram a formar uma enorme quadrilha.

    Confesso que nunca havia participado de uma tão grande.

    Na hora do túnel descobri que atravessar toda a fila agachado exigia mais preparo físico do que imaginava. O mesmo aconteceu quando chegou a vez de cumprimentar os noivos. A fila parecia não terminar nunca.

    Era exatamente como deve ser uma quadrilha.

    Sem preocupação com coreografias perfeitas.

    Todos eram participantes.

    Terminada a dança, veio outra tradição que dificilmente falta aos arraiais do interior.

    O bingo.

    Pouco importavam os prêmios.

    O que fazia sentido era ver famílias inteiras permanecendo juntas até os últimos minutos da festa, prolongando uma noite que parecia passar depressa demais.

    No caminho de volta, ficou a sensação de que havíamos participado de algo que ia além de uma festa junina.

    Da homenagem de um bisneto à mulher forte que inspirou o nome do restaurante. Da valorização de quem trabalha a terra e transforma os frutos da Serra da Mantiqueira em identidade. Da alegria de ver famílias reunidas em torno da música, da gastronomia e das tradições populares.

    E quem sabe, daqui a alguns anos, possamos olhar para trás e lembrar que estivemos presentes quando mais uma tradicional festa junina da Serra da Mantiqueira começava a escrever sua história.

    Veja também: Fora dos gramados, você também pode encontrar Brasil e Japão reunidos no pudim

    campos do jordão festa junina fogueira tradição

    * A opinião dos nossos colunistas não reflete necessariamente a visão do portal spriomais.

    Dr. Sidney Sredni

    Dr. Sidney Sredni

    Dr. Sidney Sredni é neurologista, mas também tem outra paixão: a cozinha! Desde 1984, ele vem aperfeiçoando suas habilidades culinárias e técnicas em cursos, leituras e viagens. Essa jornada, que começou por necessidade, logo virou um hobby sério e parte fundamental de sua terapia pessoal.
    Compartilhe Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp Telegram Email Copy Link
    Notícias AnterioresVale do Paraíba gera 1.239 vagas de empregos formais em maio, alta de 35% em relação a abril
    Próxima Notícia Santuário Nacional apresenta tema e hino da Festa da Padroeira 2026

    Notícias Relacionadas

    Com ‘Operários’, exposição reúne obras de Tarsila do Amaral até setembro em Campos do Jordão

    30 de junho de 2026

    ‘Invasão dos carros chineses’: marcas dominam vendas de veículos elétricos no Vale

    Autor: Gabriel Blois Moreira30 de junho de 2026

    Terra dos Dinos deve abrir em Campos do Jordão em agosto com mais de 60 réplicas de dinossauros

    Autor: Gabriel Blois Moreira29 de junho de 2026
    Inscrever-se
    Acessar
    Notificar de
    Acessar para comentar
    0 Comentários
    mais antigos
    mais recentes Mais votado

    APS Group








    A spriomais é o primeiro portal jornalistico multidigital do Vale do Paraíba, com os principais acontecimentos da região, do Brasil e do mundo.

    email:
    jornalismo@spriomais.com.br

    Maior festival gastronômico do Vale do Paraíba, com 60 mil pessoas na edição de 2024, e que reúne os melhores restaurantes, bares e confeitarias de São José dos Campos.

    instagram:
    @mais_gastronomia
    email:
    comercial@spriomais.com.br

    O design elegante e as fotografias selecionadas reforçam a atmosfera gourmet do jornal impresso e digital do Grupo SP Rio Mais.
    Um convite ao leitor para desacelerar diante das páginas e perceber a informação como parte de uma experiência estética.

    email:
    comercial@spriomais.com.br 

    • Facebook
    • Twitter
    • Instagram
    • YouTube
    • LinkedIn
    • WhatsApp
    • Spotify
    © 2026 SPRIO SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO EIRELLI - spriomais 2025 © Todos os direitos reservados

    Escreva algo e precione Enter para buscar. Pressione Esc para cancelar.

    wpDiscuz
    Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se continuar a usar este site, assumiremos que está satisfeito com ele.