
Responda rápido…
Nos últimos anos, São José dos Campos conseguiu uma redução drástica dos índices de violência, mesmo sendo a maior cidade de uma região que lidera, há anos, o Mapa da Violência no Estado. Isso levanta uma questão importante: é possível replicar a estratégia de Segurança Pública adotada por São José dos Campos em outras cidades da Região Metropolitana do Vale do Paraíba, onde a violência parece endêmica?
A resposta é simples: sim, é possível.
Mas esqueça as promessas fáceis que surgem durante as campanhas eleitorais, o blá-blá-blá adocicado dos políticos e as frases de efeito que sempre aparecem quando o assunto é Segurança Pública. São José dos Campos seguiu uma receita que deu certo: uniu planejamento, investimento e inovação, aliados a uma boa dose de união de esforços. Uma espécie de “ovo de Colombo” frente a um problema complicado, preocupação número 1 dos brasileiros, segundo diversas pesquisas de opinião.
O resultado dessa prática?
Anos depois do pontapé inicial dessa nova política de segurança, a cidade coleciona indicadores e notícias positivas nessa área. Na contramão do país, onde a Segurança Pública é preocupação número 1 da população, o setor é aprovado por 86% dos moradores de São José dos Campos, com a atuação da Guarda Municipal ultrapassando 90%, segundo pesquisas recentes. Esses indicadores positivos de satisfação têm como base uma redução considerável de índices criminais. Desde 2017, houve uma queda de 91% nos casos de roubo de veículos, de 84% nos roubos, de 71% nos furtos de veículos, de 15% nos furtos e de 61% no número de homicídios.
Mas não é só…
São José dos Campos foi considerada a cidade mais segura do país entre municípios acima de 500 mil habitantes, segundo levantamento do Atlas da Violência 2026, realizado anualmente pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com 5,9 casos por 100 mil. E, semanas atrás, a cidade alcançou uma marca recorde: pela primeira vez desde o início da série histórica de levantamento de dados feito pela Secretaria de Segurança Pública do Estado, o município passou um mês inteiro sem registrar nenhum roubo de veículo.
São resultados extremamente positivos, que impactam no cotidiano da gente e merecem ser comemorados, apesar dessa ser uma luta contínua.
Qual a receita de São José dos Campos? Inteligência…
Como fazer?
A inflexão de São José dos Campos na área de Segurança Pública teve início em 2017, com uma ideia simples, mas extremamente eficaz: reunir, ao redor de uma mesa, representantes das diversas forças de segurança que atuavam (e ainda atuam) na cidade. Nascia o programa “São José Unida”, criado no governo Felício Ramuth (PSDB à época, hoje no MDB) e ampliado na gestão Anderson Farias (PSD).
Lembra do ditado? A união faz a força …
A troca de experiências e a união foram importantes para otimizar esforços, definir metas e estreitar relacionamentos.
Em seguida, o município decidiu ampliar seu investimento em inteligência e informação. O CSI (Centro de Segurança Integrada) foi modernizado em 2021 e tem revolucionado a Segurança Urbana com mais de 1.200 câmeras inteligentes e tecnologia de reconhecimento facial. Desde sua criação, o CSI soma resultados significativos — 855 veículos recuperados e 404 procurados pela Justiça presos, demonstrando eficiência na detecção de crimes e na segurança da população.
O sistema também integra diversas forças de segurança, como a Guarda Municipal e a Polícia Militar, garantindo atuação mais rápida e eficiente. Legal que esse é um sistema em constante atualização, com aumento no número de câmeras e a implementação de novas tecnologias para melhorar a vigilância em tempo real.
Esse é um exemplo que vale a pena ser replicado.
Enquanto o “Muralha Paulista” engasga em atrasos e dificuldades, e ainda não opera plenamente após anos e anos de debate e tentativas frustradas, o modelo de Segurança Pública gestado em São José dos Campos pode ser clonado, na prática, por cidades vizinhas—principalmente aquelas que aparecem em posições ruins no Mapa da Violência dos Estado.
Mais que uma “ilha” de segurança em uma região conturbada, São José dos Campos pode ser um irradiador de modelos de segurança para outros municípios. Basta seguir a “cartilha”. Ou a receita que deu certo, na prática: planejamento, investimento e inovação, aliados a uma boa dose de união.
Segue o baile…
PS: Este é o primeiro de artigos que vão analisar a questão da Segurança Pública na região sob a ótica do modelo que deu certo em São José dos Campos. Vou tratar do Mapa da Violência, do “Muralha Paulista” e do uso da tecnologia no combate à violência e à criminalidade. São temas áridos, mas importantes. Principalmente se pretendemos tirar a RMVale do topo do Mapa da Violência do Estado.
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