
Vale a pena votar em candidatos a deputado da região?
Essa é uma reflexão que se impõe de quatro em quatro anos, quando surgem no horizonte as eleições legislativas, que definem representantes para a Assembleia Legislativa do Estado e para a Câmara Federal.
Como em eleições anteriores, a bandeira do voto regional para as Casas Legislativas deve ser retomada aqui e ali, seja por entidades da sociedade civil, seja por veículos de imprensa. Eu mesmo já escrevi diversas vezes sobre isso.
Tem sido assim desde a origem mais concreta dessa ideia, cristalizada em 2002 dentro do antigo jornal “ValeParaibano”, a partir de uma análise feita pelos jornalistas Marcos Meirelles e Fábio Zambelli sobre a evasão de votos da região nas eleições de 1998.
A conclusão era óbvia: o Vale do Paraíba “perdia” votos para candidatos de fora, enquanto a bancada regional perdia cadeiras e densidade política. Nascia ali a campanha “O Vale vota no Vale”.
Tanto tempo depois, qual o resultado prático dessa ideia?
A conclusão é triste: passados 24 anos, a bancada regional nunca foi tão pouco expressiva numericamente na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.
As urnas de 2022 elegeram um representante da região como deputado federal, Milton Vieira (Republicanos), e dois deputados estaduais, Doutor Élton (União Brasil) e Letícia Aguiar (PL).
Nesses quatro anos, a bancada regional sofreu algumas mexidas.
Milton se licenciou do cargo e virou secretário da Prefeitura de São Paulo; o suplente Ricardo Galvão (PSB) assumiu como deputado federal recentemente; e Loreny Caetano (Solidariedade), também suplente, exerceu mandato-tampão por quatro meses em 2024.
Na Assembleia, o suplente Ortiz Junior (Republicanos) chegou a ocupar uma cadeira na Casa, até ser afastado por infidelidade partidária.
Feitas as contas, é pouco, muito pouco, pouco mesmo. Isso vai mudar este ano?
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Matemática
Mais deputados significa maior representatividade política e mais recursos para a região. Mas, sejamos claros, essa equação tem passado ao largo das decisões do eleitor, apesar do crescente número de candidatos que se apresentam, em cada campanha, como potenciais representantes da Região Metropolitana do Vale do Paraíba na Assembleia Legislativa e Câmara Federal.
Culpa do eleitor? Em parte sim, mas não apenas dele.
Em que pese o fato de o eleitor negligenciar, quase sempre, a escolha de seu candidato a deputado (isso ocorre, muitas vezes, minutos antes dele entrar na cabine de votação), os candidatos da região, muitas vezes, não conseguem conquistar o coração e a mente de quem almejam representar. Traduzindo, eleitor e candidato não têm dado “match”.
O candidato fala “javanês”, enquanto o eleitor entende, malemá, português. O discurso soa vazio, a imagem vira chuvisco, a mensagem cai no esquecimento e o voto vai para a casa do chapéu, na figura de um candidato “blockbuster”, que faz sucesso no TikTok, no Instagram ou no WhatsApp da família.
Volto ao ponto: não dá para culpar o eleitor.
A culpa é de todos nós: candidatos, veículos de comunicação, entidades da sociedade civil e formadores de opinião, que acreditamos no voto regional. Essa mensagem não tem chegado clara, cristalina e de forma cativante ao eleitor.
Resultado: nossa bancada encolhe cada vez mais, assim como nossa fatia no Orçamento do Estado e da União. É triste, mas é verdade esse bilhete.
Segue o baile…