
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com a vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o registro de reações graves em alguns dos vacinados, incluindo duas mortes que ainda são investigadas.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida é preventiva e tem como objetivo permitir uma reavaliação da estratégia de imunização enquanto os casos são analisados pelas autoridades sanitárias.
Ao todo, cerca de 500 mil doses da Butantan-DV foram aplicadas no país até 30 de maio. Nesse universo, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% dos vacinados. Desses casos, 42 foram classificados como graves por apresentarem sinais compatíveis com dengue grave, o que representa 0,008% do total de pessoas imunizadas.
Investigação dos óbitos
Até o momento, não há comprovação de que os óbitos tenham sido causados pela vacina. De acordo com o ministério, as investigações realizadas pelos sistemas municipais e estaduais de vigilância ainda não encontraram dados suficientes para estabelecer uma relação direta entre a aplicação do imunizante e os casos registrados.
O que é a vacina Butantan-DV?
A Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue desenvolvida integralmente no Brasil e também a primeira do mundo aplicada em dose única. O imunizante foi criado pelo Instituto Butantan com o objetivo de ampliar a proteção da população contra a doença, que causa epidemias frequentes em diversas regiões do país.
Estudos clínicos apontaram eficácia global de 79,6% contra a dengue e de 89% contra casos graves da doença, segundo dados divulgados pelo próprio instituto e publicados em revista científica internacional.
A vacinação começou neste ano, inicialmente voltada para profissionais de saúde. Foram aplicadas cerca de 417 mil doses nesse grupo.
Outras 83,6 mil doses foram destinadas à população de municípios que participaram de estratégias especiais de vacinação: Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e a região de Araguaína (TO).
De acordo com o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan, nessas localidades não houve registro de eventos adversos graves relacionados à vacinação em massa da população.
O que acontece agora?
Com a suspensão temporária, estados e municípios deverão interromper a aplicação da vacina até que a análise dos casos seja concluída.
O governo federal informou que reforçará a busca ativa por possíveis efeitos adversos e ampliará o monitoramento dos vacinados. O objetivo é reunir mais informações sobre os eventos registrados e garantir a segurança da população antes de uma eventual retomada da campanha.

A recomendação é que pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias fiquem atentas ao surgimento de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou outros sinais de alerta e procurem atendimento médico caso necessário.
O que diz o Instituto Butantan
Em nota, o Instituto Butantan afirmou que seguirá a orientação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para interromper temporariamente a vacinação enquanto a estratégia é reavaliada.
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O instituto destacou que os casos graves registrados representam uma parcela muito pequena dos vacinados e que ainda não está confirmado se as reações têm relação com o imunizante. O órgão também ressaltou que continuará colaborando com o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo dados, realizando novos estudos e acompanhando o monitoramento dos vacinados.
“O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS”, afirmou o instituto em trecho do comunicado.