
O espetáculo A Última Sessão de Freud será apresentado no Teatro Municipal de São José dos Campos nos dias 15, 16 e 17 de maio. As sessões acontecem na sexta-feira e no sábado, às 20h, e no domingo, às 17h.
Estrelada por Odilon Wagner e Marcello Airoldi, a montagem propõe um encontro fictício entre Sigmund Freud e C. S. Lewis para discutir temas como religião, razão, ciência, a existência humana, morte, sexo e o sentido da vida.
Com direção de Elias Andreato e texto de Mark St. Germain, a peça é inspirada no livro “Deus em Questão”, do professor de psiquiatria da Harvard Medical School, Armand M. Nicholi Jr.
A trama se passa em 1939, na Inglaterra, período em que Freud vivia exilado após fugir da perseguição nazista na Áustria. No consultório do psicanalista, ele recebe Lewis, ex-ateu que se tornou um dos principais defensores da fé cristã no século 20.
“Eles debatem, se provocam, se ironizam, brincam. Algumas vezes têm embates bem veementes de ideias. Não se agridem pessoalmente, não. A peça é um elogio ao diálogo”, explicou Odilon em entrevista ao podcas talk mais.
A peça, segundo Odilon, também se apoia nas fragilidades da dupla. Por um lado, Freud se encontra em seu último ano de vida, debilitado por um câncer de laringe e palato que o levou à eutanásia em 1939. Lewis, por sua vez, revive os traumas da Primeira Guerra Mundial, da qual participou como soldado, enquanto presencia o início da Segunda Guerra.
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O Freud de Odilon Wagner
O Freud que Odilon interpreta na peça tem 83 anos, vive as consequências de um longo tratamento contra o câncer e fala com uma prótese no maxilar. “Eu tinha que desenvolver [uma interpretação] que não fosse muito chocante, porque não é mais importante, o mais importante é o pensamento dele”.
A composição do personagem se resumia a “um homem velho”, e o ator recorreu às memórias do avô para o trabalho. No teatro, esse recurso é chamado de memória afetiva. O ator mergulha em si mesmo, nas próprias histórias e experiências, para buscar dores e sentimentos semelhantes aos vividos pelo personagem.
“Eu não tenho o câncer de Freud, não sofro perseguição como ele. Mas procurei outras vivências que me levassem para esse caminho“, afirmou.
Para incorporar Freud no palco, Odilon fala e se move com o avô na cabeça. Durante os ensaios, percebeu um gesto particular: movimentava naturalmente a mão sem abri-la completamente. “Na hora, eu falei: ‘Hum, é a mão do meu avô’”, brincou. O avô adquiriu a limitação após cirurgias provocadas pelos anos de trabalho como mascate, carregando malas pesadas.
A peça
Em cartaz desde 2022, o espetáculo se consolidou como um dos grandes sucessos recentes do teatro brasileiro, com mais de 400 apresentações e turnês nacionais. Interpretar Freud, segundo Odilon, tem sido uma das experiências mais marcantes de sua carreira.
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O cenário, assinado por Fábio Namatame, reproduz o consultório de Freud e ajuda a ambientar o clima tenso da Europa às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Já a direção de Elias Andreato aposta na força da palavra e no confronto de ideias como centro da encenação.
Ficha Técnica:
- Texto: Mark St. Germain
- Tradução: Clarisse Abujamra
- Direção: Elias Andreato
- Assistente de Direção: Raphael Gama
- Idealização: Ronaldo Diaféria
- Elenco: Odilon Wagner e Marcello Airoldi
- Cenário e figurino: Fábio Namatame
- Assistente de cenografia: Fernando Passetti
- Desenho de Luz: Gabriel Paiva e André Prado
- Designer de som: André Omote
- Iluminação: Nádia Hinz
- Sonorização: Gabriel Fernandes
- Trilha Sonora: Raphael Gama
- Arte Gráfica: Rodolfo Juliani
- Fotografia: João Caldas
- Produtor Executivo: Adolfo Barreto
- Cenotécnica/Contra-regragem: Vinicius Henrique, Kauã Nascimento
- Produtores Associados: Ronaldo Diaféria e Odilon Wagner