A Avibras retomou oficialmente as atividades na manhã desta segunda-feira (4), em Jacareí, encerrando um dos períodos mais complicados da empresa. A volta ao trabalho acontece após mais de três anos de paralisação motivada pela crise financeira da empresa e pela falta de pagamento de salários.
Por volta das 7h, o primeiro ônibus fretado com funcionários chegou à fábrica. Os trabalhadores foram recebidos por representantes da empresa e pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que acompanhou as negociações ao longo do processo.
Nova fase institucional
Nesta primeira etapa, 148 funcionários retornaram às atividades. Outros 100 trabalhadores devem iniciar na próxima quarta-feira (6), enquanto mais 23 empregados começam no dia 18 de maio. Ao todo, serão 271 trabalhadores contratados ou reintegrados nesta retomada.
A empresa também inicia uma nova fase institucional e passa a se chamar Avibras Aeroco. O comando ficará novamente com Sami Hassuani, que já presidiu a companhia anteriormente.
Segundo a empresa, a proposta da nova gestão é reconstruir as operações com foco em sustentabilidade financeira e expansão para novos mercados nos setores de defesa e aeroespacial.
Acordo trabalhista e pagamento das dívidas
A retomada só foi possível após a assinatura de um acordo trabalhista firmado em março entre a empresa e o sindicato da categoria. O compromisso prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas acumuladas durante os anos de crise.
Os valores serão quitados de forma parcelada, em períodos que variam entre 12 e 48 parcelas, dependendo da faixa salarial de cada trabalhador.
Crise começou em 2022
A crise da Avibras começou a se agravar em 2022. Naquele ano, a empresa anunciou cerca de 420 demissões e entrou em recuperação judicial. Embora as dispensas tenham sido revertidas posteriormente, os problemas financeiros continuaram.
Em setembro de 2022, os trabalhadores iniciaram uma greve após atrasos salariais. A paralisação durou aproximadamente 1.280 dias e acabou marcada como uma das mais longas da história do país. Durante esse período, a empresa acumulou débitos com cerca de 1,4 mil funcionários.
Além do acordo trabalhista, a retomada das operações envolveu um processo de reestruturação interna, com demissões e recontratações realizadas nos últimos meses.
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