
É a economia, estúpido…
Calma, muita calma nessa hora. Não, não estou chamando ninguém para a briga.
Essa frase, cunhada por James Carville durante a campanha presidencial de Bill Clinton em 1992 nos Estados Unidos, virou um mantra. E um alerta. Trata-se de uma das principais lições de estratégia política. Ela ensina, de forma direta e sem delongas, que a economia, sempre a economia, é a chave que, na maioria das vezes, decide uma eleição.
Exagero? Longe disso. Olhe o Brasil atual…
A perda de fôlego do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) frente a Flávio Bolsonaro (PL), registrada nas pesquisas mais recentes, está diretamente ligada, entre outras coisas, à alta nos preços dos alimentos e ao crescente endividamento do brasileiro.
Isso foi medido, por exemplo, pela Genial/Quaest, que linkou a queda na popularidade de Lula ao aumento nos preços dos alimentos no último mês. Tá lá: mais de 90% dos entrevistados em oito Estados pesquisados (incluindo SP, MG, RJ, BA) sofreram no bolso ao ir ao supermercado e às feiras-livres.
Culpa da carne, do leite e seus derivados, do tomate, do pó de café…
Frente a isso, não basta o governo apontar para indicadores positivos, como a alta do PIB (Produto Interno Bruto) e a retração do desemprego, e dizer: calma, está tudo bem. Para o brasileiro comum, não está. Na campanha de 2022, Lula prometeu picanha. Depois de uma queda de preço em 2023 e 2024, agora está difícil de entregar até acém, patinho, carne moída e coxão duro. O que vai fazer o governo? Essa é uma daquelas respostas que valem US$ 1 milhão e podem decidir a eleição.
Frente a isso, vale a pena discutir um tema mais amplo: qual o papel do Estado na economia?
Dito dessa forma, esse parece ser um daqueles temas chatos, dos quais muito se fala e pouco se entende. Pode até ser. Mas não se engane: a economia tem reflexo direto na nossa vida, seja em aspectos de custo de vida (olha aí o preço da carne) e qualidade de vida, seja em questões como emprego, geração de renda, escola para seu filho e mais ou menos dinheiro no bolso.
Muita gente simplifica a questão e resume tudo a “menos Estado, mais mercado”. Não é tão simples…
Na economia clássica, o Estado atua como regulador, interventor e promotor do desenvolvimento econômico, buscando equilíbrio entre crescimento, estabilidade e justiça social.
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Entre as diversas ações estão a regulação de mercados, a definição de políticas fiscais e monetárias, o controle da inflação e da taxa de juros, além da emissão de moeda. Além disso, o Estado realiza investimentos em setores estratégicos (como energia, infraestrutura e telecomunicações) e mantém bancos públicos que financiam projetos de desenvolvimento, impactando diretamente a vida cotidiana da população, por exemplo, no acesso a crédito e habitação.
Mas não é só…
A intervenção estatal pode ocorrer na forma de subsídios, incentivos fiscais, criação de leis, programas de transferência de renda e políticas de combate à pobreza (como o Bolsa Família).
O objetivo é garantir eficiência e equidade, promovendo a otimização da produção e a redistribuição de renda, além de criar condições para que todos tenham acesso a serviços básicos e qualidade de vida.
Bons & maus
Em sua segunda etapa, a série “Brasil, Brasis” vai discutir a presença do Estado na economia. Ela tem que ser mínima, quase zero, como querem os liberais? Ou, em um país em desenvolvimento como o Brasil, é papel do Estado ser atuante, sempre presente, regulando mercados e ser um indutor do crescimento? Temos bons e maus exemplos dos dois casos. O que os candidatos a presidente que estão por aí pensam sobre o assunto?
E, principalmente, você, o que pensa? Qual o papel do Estado na economia? É isso que nós vamos discutir nos próximos artigos desta série.
Segue o baile…