
O cientista brasileiro Carlos Nobre foi nomeado nesta segunda-feira (30) pelo Papa Leão XIV como membro do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, órgão do Vaticano voltado à promoção de temas centrais da humanidade, como justiça social, meio ambiente e migração.
O grupo reúne especialistas de diferentes áreas e países para discutir e orientar ações da Igreja em causas humanitárias. Nobre é o único brasileiro entre os nomes anunciados. Confira a lista completa:
- Rogelio Cabrera López — Arcebispo de Monterrey (México)
- Fulgence Muteba Mugalu — Arcebispo de Lubumbashi (República Democrática do Congo)
- Lizardo Estrada Herrera — Bispo auxiliar em Cuzco (Peru)
- Daniel Gerard Groody — Vice-reitor da Universidade de Notre Dame (EUA)
- Rampeoane Hlobo — Diretor da Rede Jesuíta de Justiça e Ecologia (Quênia)
- Linah Siabana — Psicóloga
- Meghan J. Clark — Professora da Universidade de St. John’s (EUA)
- Dylan Mason Corbett — Diretor do Hope Border Institute (EUA)
- Léocadie Wabo Lushombo — Professora na Universidade de Santa Clara (EUA)
- Christine Nathan — Presidente da Comissão Católica Internacional de Migração (Suíça)
Quem é Carlos Nobre
Formado engenheiro eletrônico pelo Instituto ITA (Tecnológico de Aeronáutica), em São José dos Campos, em 1974, Nobre também concluiu doutorado em Meteorologia no (MIT) Massachusetts Institute of Technology, em 1981, e atuou por mais de três décadas no INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Nobre é reconhecido internacionalmente por seus estudos sobre as mudanças climáticas e soma mais de 40 anos dedicada ao estudo e preservação da Amazônia.
Um de seus principais projetos, Amazônia 4.0, propõe um modelo de desenvolvimento sustentável para a evitar o fim da Floresta Amazônica, que combina a bioeconomia com tecnologias da “Indústria 4.0” (como inteligência artificial e nanotecnologia).
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Carlos Nobre foi um dos primeiros cientistas a alertar para o risco de “savanização” da Floresta Amazônica, uma mudança gradual em que a floresta, pressionada pelo desmatamento e pelo aquecimento global, pode perder suas características e dar lugar a uma vegetação mais seca.
Ao longo de sua trajetória, Nobre acumulou prêmios e reconhecimento global. Em 2007, integrou a equipe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que recebeu o Prêmio Nobel da Paz ao lado do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, pelo trabalho de alerta sobre os riscos do aquecimento global.
Mais recentemente, em 2022, foi eleito membro da Royal Society, uma das instituições científicas mais prestigiadas do mundo. Nobre foi o primeiro brasileiro a conquistar o título desde o século 19.