
Durante séculos, rios definiram onde cidades surgiriam, orientaram caminhos e serviram como ponto de referência para a vida cotidiana. Com o avançar do tempo e o crescimento urbano, muitos deles deixaram de fazer parte da rotina da população.
Em São José dos Campos, um projeto tem buscado reaproximar os moradores desse espaço. Os Passeios Ecológicos do Urbanova, bairro na zona oeste da cidade, têm usado a navegação para apresentar o rio às pessoas e explicar a fauna e flora dentro e fora de suas margens.
Os passeios custam entre R$ 50 (meia-entrada) e R$ 100 por pessoa e são realizados poucas vezes ao ano, por isso, se você tem vontade de se aventurar no Paraíba, é importante acompanhar a agenda, divulgada pelas redes sociais (@passeioecologicourbanova) — confira a agenda de 2026 mais abaixo.
É uma atividade que testa a coordenação dos aventureiros, selecionados em duplas (ou sozinhos, caso o número de participantes seja ímpar) e faz com que aprendam do zero e na prática como remar, caso não tenham tido essa experiência anteriormente.
Realizado pela empresa Espaço Acqua Eventos, o projeto é coordenado pelo canoísta Pedro Oliva, ex-recordista mundial de salto em cachoeira, que atua na condução técnica das atividades. A operação inclui definição prévia de rotas, divisão por modalidade e acompanhamento durante os percursos.
“Nosso principal objetivo é que os passeios se consolidem como uma iniciativa permanente de reconexão da população com o rio. Queremos contribuir para criar uma cultura regional de valorização do Paraíba do Sul, aliando ecoturismo, educação ambiental, esporte, lazer e desenvolvimento local”, afirma o atleta.
Navegando pelo Rio Paraíba
Antes de entrar no rio, são dadas instruções em terra, porém nenhuma forma de aprendizado é melhor do que a prática. Na pior das hipóteses, a dupla ficará rodando até pegar o jeito de sincronizar a remada.
Os participantes se reúnem em diferentes pontos do Urbanova e vão juntos até a zona de mata, onde passam por explicações sobre o ciclo da água, áreas de preservação e os impactos do desmatamento nas margens. Por fim, o passeio começa depois que os participantes escolhem como vão percorrer o rio: barco motorizado ou caiaque.
A partida acontece no ponto de deságua do córrego Vidoca com o Rio Paraíba do Sul, próximo à estação da Sabesp, onde a natureza rouba a cena. É possível observar diversos tipos de aves, como colhereiros, garças, patos selvagens, tucanos e outros animais, como macacos-muriqui, quatis, capivaras e até mesmo jacarés-do-papo-amarelo.
Toda essa diversidade já foi registrada pelo fotografo joseense Ricardo Martins, que navegou pelo projeto e fez as fotos que são exibidas no ponto de retiradas dos caiaques.
Trajeto
O público navega por um trajeto de aproximadamente 2,6 km até uma área onde se pode ver a região central de São José dos Campos, e se forçar o olho, identificar a ponta da Igreja Matriz.
Como o rio só segue para o Norte, e não há uma faixa de retorno, na volta, os aventureiros partem em uma jornada de 1,2 km a pé. O caminho não é extremamente difícil ou cansativo, mas possui trechos de terra úmida que facilitam um “tropicão”. Definitivamente, não é para amadores.
Também por conta do caminho barrento até a zona inicial do percurso, não é recomendado o uso de um tênis novo, chinelo ou algo que não possa sair com a aparência mais “desgastada”. E é altamente recomendado o uso de protetor solar, repelente e um boné (que possa acabar molhando no trajeto)
Agenda de passeios em 2026
No ano passado, mais de 800 pessoas participaram das atividades. Para 2026, estão previstas mais cinco edições ao longo do ano, sempre aos finais de semana:
- 16 e 17 de maio
- 23 e 24 de maio
- 26 e 27 de setembro
- 3 de outubro
- 5 e 6 de dezembro
Segundo a organização, os grupos têm número limitado de participantes por edição. A medida busca manter o controle da operação e evitar impactos ambientais durante as atividades. Quando há maior procura, novas datas são abertas. Também há possibilidade de agendamento para grupos fechados.