
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) interditou parcialmente a produção da Terapêutica Farmácia de Manipulação LTDA, em São José dos Campos, após identificar irregularidades sanitárias durante fiscalização realizada entre os dias 16 e 18 de março.
A medida atinge especialmente a linha de medicamentos estéreis, que ficará suspensa até a correção dos problemas.
Logo após a inspeção, a empresa informou que colaborou com a fiscalização, reconheceu a importância das ações da Anvisa e afirmou que já iniciou a correção das falhas.
Em nota (leia a íntegra ao final), a farmácia disse que estruturou um plano de ação para regularizar a área de medicamentos estéreis, com apoio técnico especializado, e que atuará de forma “célere e transparente”.
Problemas identificados pela Anvisa
De acordo com a Anvisa, a interdição parcial ocorre quando há risco sanitário, impedindo o funcionamento de setores específicos até a completa regularização. No caso da farmácia, os fiscais apontaram falhas consideradas críticas, principalmente relacionadas ao risco de contaminação dos medicamentos.
Entre os problemas identificados estão a falta de limpeza adequada de equipamentos e utensílios, ausência de validação dos processos de esterilização e falhas no sistema de ar e na estrutura física. Também foram constatados armazenamento inadequado de medicamentos que exigem refrigeração e ausência de registros de insumos controlados, como hormônios.
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A agência informou ainda que a farmácia manipulava medicamentos estéreis sem garantir segurança microbiológica — ou seja, sem assegurar que os produtos estivessem livres de bactérias, vírus e fungos.
Outro ponto destacado foi a manipulação de substâncias como tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — associada à vitamina B12 e glicina, combinação sem eficácia e segurança comprovadas. Além disso, o estabelecimento produzia fórmulas conhecidas como “canetas emagrecedoras” com concentrações equivalentes às de medicamentos industrializados, prática proibida.
Durante a inspeção, a equipe também identificou a realização de uma obra dentro do estabelecimento sem comunicação prévia à Vigilância Sanitária, o que pode aumentar o risco de contaminação durante a produção.
A Anvisa informou que a interdição só será suspensa após a regularização completa das irregularidades.
Distribuidora também apresentou irregularidades
Além da farmácia, uma distribuidora de produtos para saúde na cidade, a Mali Produtos para Saúde LTDA, também foi fiscalizada e apresentou problemas sanitários.
Entre as irregularidades estão falta de registro de produtos controlados, armazenamento inadequado, uso de geladeiras comuns sem controle de temperatura, falhas no sistema de qualidade e ausência de validação no transporte de medicamentos.
No caso da distribuidora, foi determinada a suspensão da aquisição, importação, distribuição e comercialização de substâncias. Até a última atualização, a Anvisa não havia informado se houve aplicação de outras penalidades.
Confira a nota na íntegra da farmácia:
“A Terapêutica Farmácia de Manipulação LTDA, com mais de 45 anos de atuação em São José dos Campos (SP), vem a público prestar esclarecimentos sobre a ação de fiscalização conduzida pela Anvisa, em conjunto com a Vigilância Sanitária Estadual e Municipal, entre os dias 16 e 18 de março de 2026.
A empresa recebeu os fiscais com total abertura e colaboração, reafirmando seu respeito às autoridades regulatórias e à importância das ações de fiscalização para a segurança sanitária.
Em relação aos apontamentos realizados na área de estéreis, a Terapêutica informa que todas as providências necessárias estão sendo adotadas com prioridade máxima e dentro dos prazos determinados pelas autoridades competentes. Um plano de ação foi imediatamente estruturado pela equipe técnica, com acompanhamento da responsável técnica farmacêutica e suporte de consultoria especializada.
A empresa seguirá atuando de forma célere e transparente para restabelecer suas operações dentro dos mais elevados padrões de qualidade e conformidade.
A Terapêutica reforça seu compromisso com pacientes, prescritores e com a transparência institucional, permanecendo à disposição para esclarecimentos.”
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