
A política quase nunca é simples…
Fazer política dificilmente é unir dois pontos por meio de uma reta. Geralmente, acordos políticos são como montar um quebra-cabeça. Mas não um quebra-cabeça simples.
Às vezes, fazer política é como montar um superhipermegablaster quebra-cabeça — como aquele construído, pedaço por pedaço, na praça principal de Ravensburg, na Alemanha, e que ainda aguarda homologação do Livro de Recordes quase 20 anos após ter sido concluído, com mais de 1 milhão de peças, encaixadas em uma área de 600 metros quadrados.
Pois bem, depois de meses de gestação e muito vai-e-vem, o quebra-cabeça para escolha do vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições deste ano parece ter sido, enfim, concluído.
O desenho final parece simples e esconde todas as dificuldades enfrentadas para montá-lo: resistindo às pressões de Gilberto Kassab (PSD) e Valdemar da Costa Neto (PL), Tarcísio manteve Felicio Ramuth (PSD) como seu vice, como desejava, assegurando a seu lado um vice que considera confiável. Confiável agora e em 2030, quando ele, Tarcísio, caso seja reeleito agora, deve deixar o Palácio dos Bandeirantes para disputar a Presidência da República.
O acordo deve ser sacramentado nos próximos dias…
Desgastado após diversas tentativas de excluir Felicio do jogo (algumas bem agressivas), Kassab vai poder se dedicar agora a seu projeto nacional, com o sonho de terceira via e seus “três tenores” — Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Em São Paulo, deve caminhar ao lado de Tarcísio, mas seu foco mesmo é no segundo turno das eleições, potencialmente disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Kassab sonha em ser o fator que decidirá a eleição.
Já Valdemar da Costa Neto saiu com uma vaga ao Senado assegurada para o PL. O candidato? O deputado André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado, é o nome que Valdemar colocou na mesa para ser candidato a vice de Tarcísio e que não colou.
Até aqui, entre mortos e feridos, salvaram-se todos, como diz o ditado.
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Bom para Felicio Ramuth, que resistiu ao cerco dos caciques graças a uma relação direta com Tarcísio, costurada desde que assumiu o cargo de vice-governador em 2023.
Soube ser discreto quando deveria, incisivo quando necessário e tornou-se uma figura fiel ao governador e sua equipe. Sobreviveu, e bem, ao ambiente volátil do Palácio dos Bandeirantes e às oscilações de humor de Kassab. Mérito dele.
Caso surja ainda alguma rusga com Kassab, não está descartada a troca do PSD pelo MDB, considerado um porto seguro para Felicio. Mas sejamos claros: é uma troca que não é tão simples, afinal Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, oferece alguma resistência, de olho em 2030. Mas que pode ocorrer.
Resta saber se alguém ainda vai tentar desarrumar as peças já encaixadas desse quebra-cabeças gigantesco. Em política, tudo pode acontecer…
Segue o baile…