
Tudo será difícil de dizer: a palavra real nunca é suave…
Escolhi esse verso de Orides Fontela, poeta que será homenageada na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty este ano, para fazer uma brincadeira com palavras. Na política, meu tema central neste espaço, a palavra é fundamentalmente importante.
Ela dá norte, densidade, impacto. Diverte, irrita, fere, acalenta, destrói, constrói. Nunca é suave. Nunca? Na prática, nunca. Nem quando é ou tenta ser.
E a brincadeira?
Bem, pedi a diversos amigos e amigas que escolhessem a frase política mais interessante ou impactante que tenha chamado a sua atenção neste início de 2026, ano que promete ser de alta-tensão no Brasil.
Vale tudo: de político regional a político nacional, frase engraçada, frase crítica, bobagem. Enfim, uma frase que tenha ficado na mente. Ou no coração. Uma frase que mereça uma reflexão ou, pura e simplesmente, condenação, de tão absurda que tenha sido.
As sugestões foram várias e vou listá-las abaixo, sem creditar quem indicou.
Vamos a elas. E você, que me lê, qual delas você mais gostou? Conta pra mim.
- “Não tem mais Lulinha paz e amor”
Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 7 de fevereiro, no evento de aniversário dos 46 anos do PT, em Salvador - “Se o Trump soubesse do meu parentesco com Lampião não provocaria o Brasil”
Do presidente Lula, em tom de brincadeira, durante cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo, em 9 de fevereiro - “Chega de homens de vestido”
Do secretário do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, em 9 de fevereiro, ao visitar uma fábrica em Rhode Island - “Ou fico na vice ou vou capinar em Pinda”
Do vice-presidente Geraldo Alckmin a interlocutores, no final de janeiro, sobre seu futuro político em 2026 - “Quem não erra?”
Do governador Tarcísio de Freitas, em fevereiro, em Cruzeiro, ao falar sobre os erros de português cometidos por monitores policiais em uma escola cívico-militar em Caçapava - “Pior interlocutor que eu já vi. Eu ligo e ele não atende telefone, nunca atendeu em quatro anos. Ganhou a eleição, esqueceu os compromissos”
Do prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci, em fevereiro, sobre o vice-governador Felício Ramuth - “Tem certas pessoas que, quando falam mal da gente, sempre soa como elogio”
Do vice-governador Felício Ramuth, em 6 de fevereiro, durante entrevista à SPRio, sobre as críticas que tem recebido do prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci - “Acabou o amor? Tudo bem, chega, fala e conversa”
De Sheila Thomaz, ex-primeira-dama de São José dos Campos, em 9 de fevereiro, sobre o fim do relacionamento com o prefeito Anderson Farias
Ufa. Faltou alguma? E você, que frase recente da política ficou gravada na sua cabeça? Fala pra mim. A palavra real nunca é suave, como ensina a poeta, mas é por meio dela que a gente conversa e se entende.
Segue o baile.
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PS: Aclamada pela crítica, mas desconhecida do grande público, Orides Fontela será homenageada pelo evento literário em Paraty e terá seus cinco livros e mais uma biografia relançados. A poeta morreu em 1998, aos 58 anos, em Campos do Jordão, por insuficiência cardiopulmonar em decorrência da tuberculose. Pobre, sozinha, apesar de poeta premiada e reconhecida pela crítica, Orides quase foi enterrada como indigente. O que evitou isso? O médico de plantão notou, entre os objetos de sua mesa de cabeceira, um volume de poemas com seu nome impresso. Triste…