
A Finep, agência do governo federal de fomento à pesquisa e inovação, cancelou um programa que previa, ao custo de R$ 180 milhões, a construção de um veículo lançador de satélites de pequeno porte (VLPP) por empresas brasileiras.
O motivo do cancelamento foram irregularidades na prestação de contas de R$ 24,5 milhões de verba pública repassados para a Akaer, companhia do setor aeroespacial, com sede em São José dos Campos, empresa reconhecida nacional e internacionalmente por sua competência técnica.
Não à toa, a Akaer tinha sido contratada para gerenciar o consórcio de empresas para construir o foguete, antigo objetivo do programa espacial brasileiro. As informações sobre o fim do projeto foram detalhadas por Caio Possati, do Estadão Conteúdo, depois de um furo do blog especializado Brazilian Space.
Akaer informou ao repórter do Estadão estar impedida de dar mais detalhes sobre o projeto porque a construção de um foguete é assunto de segurança nacional. Em nota, afirma que suas ações foram conduzidas dentro dos termos do contrato e com princípios de responsabilidade e ética.
O programa Montenegro começou em dezembro de 2023 com conclusão prevista para o fim deste ano. Em agosto de 2025, a Finep suspendeu o programa após identificar as irregularidades. Segundo a reportagem do Estadão, a Finep vinha cobrando explicações sobre o uso dos valores.
Sem explicação satisfatória por parte da Akaer, a Finep decidiu agora rescindir o contrato e pedir a devolução de toda a verba já repassada, ou seja, R$ 41,3 milhões. Em nota, a Finep justificou a rescisão diante da “dificuldade da empresa na gestão administrativo-financeira dos recursos desembolsados” pela agência federal.
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O grupo liderado pela Akaer tinha como coexecutoras as startups Acrux Aerospace, a Breng Engenharia e Tecnologia, e a Essado de Morais. Como empresa de maior porte e experiência em projetos de subvenção, coube à Akaer receber e administrar os recursos.
Oswaldo Loureda, fundador da Acrux, uma das coexecutoras do projeto, disse ao Estadão Conteúdo que a relação das startups com a líder do consórcio foi difícil desde o início. Segundo ele, a Akaer não as avisou sobre o depósito dos R$ 41,3 milhões e as startups parceiras só descobriram a transferência dos valores por conversas informais e levaram seis meses para receber o dinheiro.
Caio Possati analisa que para as startups do setor aeroespacial, o cancelamento cria não só a frustração pela perda da chance de construir o foguete, mas o risco de efeitos econômicos negativos. Mais de 40 funcionários e bolsistas pesquisadores das coexecutoras, treinados e capacitados para o projeto, tiveram de ser dispensados.