
A Embraer celebrou nesta quinta-feira (8) os 95 anos de seu fundador, Ozires Silva, resgatando uma história pouco conhecida que ajuda a explicar a origem do sonho de criar aviões no Brasil: a amizade de infância com Benedicto César, conhecido por Zico, companheiro inseparável nos primeiros passos na aviação e na Força Aérea Brasileira (FAB).
Em vídeo divulgado pela companhia, a trajetória de Ozires é contada a partir dessa relação. Ainda jovens, em Bauru, os dois passavam horas sentados em um banco de praça que chamavam de “Escritório”, discutindo ideias inspiradas pelas aulas de aeromodelismo no Aeroclube local. A pergunta que guiava as conversas era simples e ambiciosa: “Por que o país de Santos Dumont não fabrica aviões?”.
Sem cursos de engenharia aeronáutica no Brasil à época, Ozires e Zico ingressaram juntos, em 1948, na Escola Preparatória da Aeronáutica. Formaram-se pilotos, seguiram carreira militar e mantiveram vivo o sonho de projetar aeronaves feitas no Brasil.
Acidente trágico
Ozires realizou seu primeiro voo solo em 1949 e, nos anos seguintes, atuou em missões na Amazônia, pilotando aviões anfíbios que atendiam populações ribeirinhas e indígenas.
A história dos dois amigos foi interrompida tragicamente em 1955, quando Zico morreu em um acidente aéreo durante missão da FAB, aos 25 anos. Pouco antes, havia relatado a Ozires uma premonição envolvendo um caixão dentro de um avião.
A perda do amigo levou Ozires a acreditar, por um tempo, que o projeto de projetar aviões no Brasil havia sido enterrado junto com Zico, conta a Embraer. Seu rumo mudou quando conheceu o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), em São José dos Campos.
A fundação da Embraer
Ozires ingressou no curso de engenharia em 1959, formou-se em 1962 como o melhor aluno da turma e passou a atuar no Centro Técnico de Aeronáutica, onde liderou o desenvolvimento do projeto que daria origem ao avião Bandeirante.
O sucesso do primeiro voo da aeronave, em 1968, abriu caminho para a criação da Embraer no ano seguinte, após um encontro decisivo e inesperado com o então presidente da República, Arthur da Costa e Silva. A empresa iniciou suas atividades em 1970, tendo Ozires como primeiro diretor-superintendente.