
O entomologista brasileiro Luciano Andrade Moreira, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi selecionado pela revista científica Nature como um dos dez cientistas que mais influenciaram a ciência em 2025. O reconhecimento integra a lista anual “Nature’s 10”, que destaca pesquisadores cujos trabalhos tiveram impacto significativo ao longo do ano.
Moreira foi reconhecido pelo desenvolvimento do Método Wolbachia, uma estratégia inovadora de controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O método utiliza a bactéria natural Wolbachia, capaz de impedir a replicação dos vírus dentro do organismo do mosquito.
Os insetos tratados, conhecidos como “wolbitos”, transmitem a bactéria para suas descendentes ao se reproduzirem, criando uma barreira populacional que reduz de forma significativa a transmissão das doenças. Segundo os pesquisadores, a Wolbachia atua competindo com os vírus ou ativando proteínas antivirais no mosquito.
A tecnologia já está em aplicação em cidades brasileiras como Balneário Camboriú (SC), Brasília (DF) e Curitiba (PR), integrando a estratégia nacional do Ministério da Saúde para o enfrentamento das epidemias de dengue. Moreira também dirige uma biofábrica em Curitiba, responsável pela produção em larga escala dos wolbitos, em parceria com a Fiocruz, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program.
Fundada em 1869, a Nature é uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo e destacou o impacto global do trabalho do pesquisador em um contexto de aumento dos surtos de arboviroses na América Latina e na Ásia. Em sua edição de dezembro, a publicação afirmou que o avanço representa uma ferramenta sustentável para o controle de vetores, complementando vacinas e outras medidas preventivas.
Engenheiro agrônomo com doutorado em entomologia, Luciano Andrade Moreira coordena as ações do projeto a partir do campus da Fiocruz, no Rio de Janeiro. Autoridades de saúde brasileiras avaliam o método como uma das principais esperanças para reduzir os impactos das epidemias anuais de dengue, que afetam milhões de pessoas no país.