
O ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) tem um dos vestibulares mais difíceis do país, é fato. Em média, os alunos demoram três anos para serem aprovados no instituto. Mas quem acha que a dedicação acaba por aí, está enganado.
Lidar com uma mudança radical na vida, mesmo tão jovem, faz parte do amadurecimento dos estudantes. Muitos saem de seus estados para viver em São José dos Campos e mergulharem de cabeça na engenharia.
Para promover a integração entre grupos e estimular o desenvolvimento científico dos calouros, o ITA realiza, há 11 anos, um Workshop de Química.
A feira deste ano, realizada na última sexta (14), reuniu os 180 novatos divididos em 29 projetos variados.
Ao conversar com alguns alunos, deu para reconhecer, pelo linguajar, cada canto do Brasil: Rio Grande do Norte, Amazonas, Ceará, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
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A feira
Durante as aulas de laboratório de química, os estudantes trabalham em seus projetos e mesmo com apenas três horas por semana, ideias interessantes ganham um empurrãozinho.
Luciana Coppio, vice-coordenadora do Workshop de Química e chefe do Departamento de Química do ITA, explica que a feira foi desenvolvida para quebrar a maneira tradicional de ensino.
“Antes de 2014, as aulas de laboratório eram roteirizadas, mas chegou um momento em que a sociedade foi mudando e surgiu o questionamento sobre aulas mais dinâmicas. Com isso, pensamos na feira e o desenvolvimento de projetos.”

Os alunos são livres para se dividirem e escolherem os temas mais interessantes. As aulas do laboratório são uma continuidade do mesmo projeto ao longo do ano inteiro.
“Percebemos um interesse muito maior dos alunos por se sentirem donos dos projetos. O aprendizado também é infinitamente maior. Eles conseguem construir uma trajetória muito legal e ver as carinhas felizes na feira deixa a gente, como professor, mais feliz ainda“, conclui Luciana.
Projetos
Os projetos desenvolvidos para a feira são iniciais e não representam um produto final. Porém, isso não significa que as ideias não possam ser trabalhadas no futuro.
Uma prática comum na feira é que projetos de anos anteriores sirvam como base para novos estudos e desenvolvimentos.
Isso promove um avanço continuo e gradativo conforme os anos passam.
Bioplástico
Um exemplo é o projeto de Lucas Porto (20 anos) e Marcelo Ortolá (20), do Rio de Janeiro, que aplicaram variáveis ao projeto de uma sacolinha de bioplástico, a partir do amido de milho com fibra de coco, e moldaram algo mais flexível e resistente.

O diferencial do projeto é a rápida decomposição do material, que demora cerca de 20 dias quando exposto à terra e umidade. A ideia é substituir o plástico convencional, que demora séculos para se decompor.
Melancia bioadsorvente
Em uma conversa com João Vitor Pereira (19 anos), de Minas Gerais, Bruna Bueno (22), do Paraná e Fernanda Satie (20) do Rio Grande do Norte, o trio comentou sobre como é possível usar a melancia para despoluir rios.

Resumidamente, o projeto deles consiste em usar a casca de melancia com hidróxido de sódio (NaOH) para remover o corante azul de metileno da água. Nos testes de adsorção (fenômeno no qual moléculas aderem à superfície de um material) seu bioadsorvente apresentou resultados consistes e uma remoção de quase 98% de todo o corante original.
O corante absorvido é bastante utilizado na indústria têxtil e polui rios após ser descartado.