
Os bichos que se virem por conta própria. É isso?
Um silêncio gritante pairou sobre a COP30 Amazônia, em Belém: ninguém falou do impacto das mudanças climáticas sobre a fauna dos diversos continentes. Enquanto os humanos debatem seu futuro, os animais, igualmente ameaçados pelo aquecimento global, foram tratados como coadjuvantes invisíveis em seu próprio planeta.
Um extraterrestre que chegasse à conferência teria a certeza de que na Terra só existem os Homo sapiens. Todo o resto é cenário.
O alerta do “antropocentrismo ecológico”
Mas alguém percebeu essa lacuna. O Grupo de Respostas a Animais em Desastres (GRAD), uma ONG que atua no resgate de animais em enchentes e incêndios, como os do Rio Grande do Sul e do Pantanal, resolveu abrir a boca por quem não pode falar.
O GRAD denunciou que, tanto na Agenda de Ação principal da COP 30 quanto nas reuniões paralelas, o mundo animal ficou de fora. Há apenas uma menção vaga no Eixo Temático 2, que fala em esforços para “conservar e proteger a natureza… para a biodiversidade”.
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“A Voz dos Invisíveis”: Um manifesto pelos animais
Em resposta a esse apagão, o grupo lançou o movimento “A Voz dos Invisíveis” e está recolhendo assinaturas em seu site para um manifesto que exige que os animais tenham seu lugar na discussão climática global.
O que se discutiu (e o que ficou de fora) na COP 30
Em meio a festas, pratos típicos como a maniçoba e o açaí, a conferência da ONU debateu de (quase) tudo:
- Debates intermináveis sobre o quanto os países ricos devem pagar pela emissão de gás carbônico.
- Conversas repetidas sobre as metas do Acordo de Paris para o aquecimento global.
- Previsões catastróficas sobre eventos extremos, sinais ou não do fim do mundo.
Mas sobre ursos polares, baleias, onças, chimpanzés, elefantes, lobos, águias, papagaios, jacarés, sapos, sabiás… nada. Silêncio total!
A Arca de Noé do século XXI não é multiespécie
Evidentemente, o aumento médio de 1,5°C na temperatura do planeta afeta drasticamente a vida da fauna e da flora. No entanto, os humanos da COP 30 parecem preocupados unicamente com a própria espécie.
A triste conclusão é que a Arca de Noé do século 21, construída contra as mudanças climáticas, não é multiespécie, como foi a original. E, pelo andar da conferência, os bichos que se virem por conta própria.