
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) colocou em operação um novo supercomputador que promete elevar o nível das previsões meteorológicas e dos estudos sobre o clima no Brasil. Instalado no Centro de Dados Científico do Instituto, em Cachoeira Paulista, o equipamento substitui gradualmente o Tupã — sistema que, desde 2010, vinha sendo a principal ferramenta do país para modelagem climática e previsão do tempo.
Com investimento de cerca de R$ 30 milhões, financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por meio da Finep e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o novo sistema tem capacidade de processamento entre cinco e seis vezes superior à do Tupã e até 24 vezes mais espaço para armazenamento de dados.
Segundo o INPE, o ganho tecnológico permitirá previsões mais rápidas e detalhadas, reduzindo o tempo necessário para processar modelos meteorológicos e ampliando o nível de precisão das simulações. “Previsões que antes levavam cerca de três horas agora podem ser concluídas em menos de duas”, explicou Ivan Márcio Barbosa, coordenador de Infraestrutura de Dados e Supercomputação do instituto.
A nova máquina também possibilita previsões com maior resolução espacial — ou seja, com detalhamento mais fino sobre áreas menores. O intervalo que antes cobria regiões de 20 quilômetros passará a 10 km em escala global e poderá chegar a 3 km para previsões sobre a América do Sul. Na prática, o avanço deve permitir identificar com mais exatidão fenômenos localizados, como tempestades intensas em bairros específicos ou ondas de calor em centros urbanos.
Infraestrutura sustentável e novos modelos de previsão
O novo sistema faz parte do projeto RISC (Renovação da Infraestrutura de Supercomputação do INPE), que prevê a instalação de mais três supercomputadores até 2028. O plano inclui a modernização da infraestrutura elétrica, dos sistemas de refrigeração e a implantação de uma usina fotovoltaica no centro de dados, com o objetivo de reduzir o consumo energético e tornar a operação mais sustentável. O investimento total estimado é de cerca de R$ 200 milhões.
Além de maior capacidade de cálculo, o supercomputador servirá de base para o desenvolvimento do MONAN, modelo brasileiro de previsão ambiental criado para representar com mais precisão as condições tropicais e subtropicais da América do Sul. O sistema é de código aberto e integra dados atmosféricos, oceânicos e terrestres, o que permitirá simulações mais completas de eventos como estiagens prolongadas, enchentes e ondas de calor.
Em fase de testes, o MONAN deve começar a produzir resultados operacionais ainda em 2025. “O novo supercomputador oferece a potência necessária para rodar o modelo em resolução inédita de 10 quilômetros em escala global”, disse Saulo Ribeiro de Freitas, chefe da Divisão de Modelagem Numérica do INPE.
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