
O tradicional Turco Gordo, na Vila Adyana, poderia não ser a escolha natural de jovens na faixa dos 15 aos 20 e poucos anos para um rolê de sábado a tarde. Mas neste fim de semana há chances reais do bar ser infestado pela geração Z, atraída pelos LPs à venda em mais uma feira de discos realizada pelo Antiquário Vintage Urbano.
Esses novos colecionadores, algumas décadas atrasados, têm compartilhado o mesmo prazer que seus pais ou avós ao colocar um vinil para tocar, geralmente motivados não necessariamente pela música, mas pelo ritual charmoso e a estética agora cult do vinil.
Por esse hype, expositores levarão ao Turco Gordo neste sábado (13) uma seleção com divas pop como Beyoncé, Lady Gaga, Olivia Rodrigo e Taylor Swift — que enlouqueceu milhões de fãs há poucas semanas ao revelar apenas capa e nome das faixas do álbum “The Life of a Showgirl”, que será lançado (também em vinil) em outubro.
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Os swifties poderão encontrar dois álbuns queridos de diferentes eras, “Red” (2012) e “Evermore” (2020). Os fãs de Olivia terão a chance de adicionar “Guts” (2023) à coleção por R$ 365. “Lemonade” (2016), da Beyoncé, considerado pela revista Rolling Stone o disco do século 21, também estará à venda por R$ 450, valor à altura de sua realeza.
Um levantamento da Pró-Música Brasil, entidade que reúne as principais gravadoras do país, mostra que essa onda de nostalgia vem sendo refletida no comércio. Em 2024, os discos de vinil responderam por 76,4% de todas as mídias físicas vendidas no país.
Esse mercado é inflacionado pela alta demanda, mas a comercialização das cantoras pop está, não por acaso, algumas prateleiras acima dos demais gêneros. Elas são o momento, empilham fãs em shows, dominam os algoritmos das redes sociais e cumprem o princípio mais básico do negócio: vendem.
“Eles [jovens] procuram quem tem contato mais próximo, artistas que eles veem em show no Brasil. O que nós fazemos é ir em cima dos artistas que fazem mais sucesso, que têm mais músicas conhecidas”, explica Newton Urbano sobre a seleção dos materiais para o evento.
“Se não fosse por eles, o LP já estava morto”
Urbano é técnico de som, DJ e possui uma coleção com mais de 8 mil LPs em casa. Ele tem organizado as feiras para manter a cultura do disco viva e está encantado com o interesse da garotada. “Eles fazem questão de abrir na hora [os discos], pedem dica de vitrola”, conta já acrescentando uma dica valiosa: “A primeira coisa que você tem que saber é o custo da agulha”.
O modelo de agulha de um toca-discos pode ser mais caro do que o próprio aparelho, mas quem não está familiarizado só descobre na hora que precisa de uma reposição. “Quando o som está ficando baixo e ela vai derrapando em cima do disco, é porque a vida útil dela está acabando”, alerta aos novatos.
O DJ tem chamado colecionadores de cidades vizinhas como Jacareí, Taubaté e Pindamonhangaba para negociar seus vinis, entre eles álbuns raros, repetidos e outros, como parte dos discos pop, adquiridos somente para fazer dinheiro. Hoje em dia, ele conta, os jovens já são quase 50% do público das feiras. “Se não fosse por eles, o LP já estava morto”, ele desabafa aliviado.
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O que mais você vai encontrar na feira de discos
A feira de discos de sábado terá sete horas de duração, das 11h às 18h. Ao todo, estarão disponíveis mais de 10 mil títulos entre LPs, CDs, compactos e até fitas K7, com valores que variam de R$ 10 a R$ 500.
Apesar do pop como isca para os jovens, vários gêneros como rock, metal, punk e MPB poderão ser encontrados no evento. Confira abaixo alguns dos principais álbuns que serão vendidos no Turco Gordo:
- The Score (Fugees)
- London Calling (The Clash)
- In The Wild (The Interrupters)
- Sabotage (Black Sabbath)
- Enema of the State (Blink-182)
- Lavô Tá Novo (Raimundos)
Além de comprar, os visitantes poderão negociar diretamente com os expositores os discos que têm em casa ou os que desejam trocar.
Uma boa leitura: Se for à Paris em setembro, passe no número 20 da rua Thorigny, onde expõe um pintor de Jacareí