
O empresário e influenciador Vagner Macedo (36) de São José dos Campos, está em uma jornada inusitada para ser reconhecido oficialmente como o “maior corno do mundo” pelo Guinness World Records.
Casado há 16 anos com Bella Mantovani (33), Vagner vive uma relação poligâmica e afirma ter levado mais de 100 “chifres” da esposa, algo que ele descreve como prazeroso. Sua busca pelo título, motivada pelo julgamento social, é vista por ele como um “grito de liberdade” para outros homens que compartilham de seu estilo de vida.
Para comprovar sua condição, Vagner criou um “portfólio de aventuras” de Bela, com mais de 100 vídeos e fotos da esposa em atos sexuais com outros homens. Esse material foi compilado e enviado ao Guinness em maio, que tem um prazo de três meses para responder.
Enquanto espera a validação mundial, conversamos com Vagner para entender sobre seu estilo de vida, o preconceito que sofre, crenças e até onde pretende chegar com essa exposição.
🏓 Confira um ping-pong com”o maior corno do Brasil”
1. Vi que em uma de suas entrevistas você descreve sua relação como poliamor. Nesse caso, a “traição” ainda existiria? Já que no poliamor existe uma ideia de poder se relacionar livremente com múltiplos parceiros, isso não faria com que você deixasse de ser corno?
“A traição só existe quando alguém quebra um acordo. No poliamor, tudo é conversado, tudo é consciente. Então, nesse formato, não tem traição, mas ainda existe o corno. Porque o que define ser corno não é a mentira, é o desejo de estar na posição de quem vê, sente, participa emocionalmente do envolvimento da parceira com outros.
Corno é um rótulo que a sociedade criou pro homem que se poloniza com outras pessoas, que sente prazer em ver a mulher com outro. Eu não só aceitei esse título ,eu fundei uma categoria, criei uma classe. Hoje sou o rosto do “corno consciente”. A diferença é que eu não fui colocado nesse lugar. Eu escolhi estar aqui.“
2. Você sofre preconceito por seu estilo de vida? Como você lida com isso? Algum caso que marcou?
“Todo dia. Gente me chamando de aberração, de doente, de pai irresponsável. Mas os casos que mais me marcaram foram dois:
Um foi quando fomos expulsos de um apartamento onde morávamos, só por vivermos esse estilo de vida. Disseram que éramos ‘uma vergonha pras crianças do condomínio’. Como se as crianças fossem nossa responsabilidade.
Mas a verdade é: eu não controlo o que os filhos dos outros veem na internet. Eu controlo o que os meus veem. E diferente de muito casal ‘tradicional’, que deixa os filhos o dia todo no celular só pra ter sossego, a gente educa com limite, com diálogo, com presença. A verdadeira vergonha são os pais que acham que criar filho é calar criança com Wi-Fi.
E o outro foi num restaurante. O gerente olhou pra gente, apontou pros clientes do fundo e disse:
— Tá vendo aqui? Essas são pessoas de respeito. Não pessoas do tipo que vocês são.
Depois completou:
— Imagina o que vão pensar se verem vocês aqui no meu restaurante?
A gente não respondeu. Só levantou e foi embora. Porque não adianta discutir com quem ainda acha que liberdade é crime. Mas eu digo uma coisa: se ser livre ofende, o problema nunca foi a liberdade. Foi o medo de quem nunca teve coragem.“
3. Andando pela região, já pediram para se relacionar com sua esposa após reconhecerem vocês? Se sim, em quais cidades? Como são as reações na rua?
“Já pediram em São José dos Campos, Taubaté, Ilhabela, São Paulo e até em pizzaria de bairro. Alguns vêm com respeito, outros acham que vão me provocar, mas eu sempre deixo claro: não é você que escolhe comer minha mulher, é ela que escolhe se você merece.
E quando reconhecem a gente, tem de tudo: pedido de foto, casal querendo entender como funciona, e aqueles que fingem que não viram… mas mandam DM depois.“
4. Fazendo parte da comunidade de cornos, SJC tem muitos adeptos?
“Tem. Tem pastor, pastora, irmão da igreja, diretor de escola… tudo corno. Só que a maioria não tem coragem de falar. E eu não julgo essas pessoas, não. Eu julgo a sociedade que impôs esse peso moral, que obrigou a gente a seguir uma cartilha hipócrita de politicamente correto.
As pessoas que falam o que realmente sentem são crucificadas. Aliás, vamos falar com propriedade? Jesus Cristo era perfeito, e mesmo assim foi crucificado por falsos moralistas. O que dirão de mim, que só tô tentando viver minha verdade?“
5. Você vê uma forma de levar isso pra fora da internet? Criar um “encontro de cornos” em São José? O que acha da ideia?
“Acho excelente. Inclusive já tô idealizando isso: um “Congresso Nacional dos Corno Conscientes” em São José, com stand de brinquedo adulto, cerveja, palestra, bate-papo e até espaço kids (porque corno também tem filho e responsabilidade).
Vai ter corno de todo tipo: assumido, enrustido, curioso e o que ainda nega com veemência. Vai ser histórico.
Taubaté já ficou conhecida como a cidade da grávida. Agora, São José dos Campos vai ser conhecida mundialmente como a cidade do corno. E com muito orgulho. Porque aqui tem coragem, tem consciência e tem gente que não vive mais na mentira.”
6. Por que você expõe ser corno? Fama, dinheiro, aceitação, tesão? Como você se sente vendo sua esposa com outros parceiros?
“É um combo. Liberdade, verdade, tesão, exposição e coragem. No começo, doeu. Hoje, me liberta. Ver a mulher com outro mexe com o ego, mas também cura. E sobre fama ou dinheiro: sim, tem isso também. Mas o que mais me move é a liberdade de viver sem mentir, sem fingir que sou o que esperam que eu seja. Isso é o maior tesão de todos.”
7. Ser corno tem dado lucro? Como você monetiza o fetiche?
“Tem dado. Hoje monetizo o fetiche de forma direta e consciente. Tenho dois canais principais, Privacy e FanFever. Além disso, tem entrevistas, conteúdos virais, vendas de produtos, camisetas e parcerias com marcas que querem romper padrão. Ser corno virou empresa. E mais do que isso: virou bandeira. Só quem não tem visão empresarial ainda não entendeu isso.”
8. Como sua esposa se sente com essa busca pelo título no Guinness?
“No começo ela achava exagerado. Hoje, entende o impacto. E eu não seria corno se não fosse ela. Então 50% do mérito é meu… aliás, vou até além: 80% do mérito é dela. Ela é a essência dessa revolução. Eu sou a voz. E juntos a gente criou algo que ninguém teve coragem de fazer.”
9. Como sua família reagiu ao seu estilo de vida liberal? E seus filhos, o diálogo é aberto?
“Minha mãe ficou em choque, meu pai preferiu se calar. Mas hoje respeitam. E com meus filhos, o diálogo é aberto, mas respeitando a idade de cada um. A gente nunca erotiza a infância, mas também não mente. Eles sabem que os pais são diferentes, que vivem um amor fora do padrão. E isso, pra mim, é um presente: ensinar meus filhos que amor de verdade não tem vergonha.”
10. Você espera que sua história incentive outras pessoas a aceitarem ser cornas? Como?
“Sim. Quero mostrar que o que gera sofrimento não é ser corno, é fingir que não é. Quando você assume, o medo acaba. Se minha história ajudar uma pessoa que vive isso escondido a se aceitar, já valeu. É sobre liberdade. Sobre quebrar o ciclo da hipocrisia.“
11. Você se considera um pioneiro nesse movimento de aceitação? Tem referências? Alguém te motivou?
“Me considero pioneiro sim. Pelo menos no Brasil, com esse alcance, eu fui o primeiro a botar a cara e dizer: ‘Sou corno e tô bem com isso.’ E tenho referências, sim. O Dinho, dos Mamonas Assassinas, é minha maior inspiração. O jeito como ele era livre, como se expressava, como chocava com humor e autenticidade… isso moldou uma geração inteira. Inclusive, minha música-tema é “Bois Don’t Cry”, dos Mamonas. ‘Ser corno ou não ser’… eu resolvi ser, e mais, assumir!
Assim como Fred Mercury, que também enfrentou o preconceito só por ser livre. Esse é meu papel hoje: viver minha verdade e abrir caminho pra quem ainda tem medo.'”
12. A palavra corno tem conotação negativa. Como você lida com isso? Pra você é elogio?
“Pra mim virou título. É símbolo. É faixa de campeão. O que era xingamento virou identidade. Quando me chamam de corno, eu respondo: ‘Obrigado. Melhor ser corno assumido do que covarde disfarçado.’ Corno, pra mim, é o homem que teve coragem de libertar a mulher e a si mesmo.”
13. Além de ser corno, você tem outros fetiches?
“Tenho. Gosto de assistir, gosto da inversão, gosto do proibido que é permitido. Mas mais do que o fetiche em si, o que me excita é a liberdade, o acordo claro, o jogo aberto. Minha maior tara é olhar nos olhos da minha mulher, ver ela com outro e ainda assim sentir que o amor dela é só meu.”
14. Você viu que vazou um casal fazendo sexo em público em SJC? A repercussão foi imensa. O que você acha sobre isso? É algo que você tem interesse? Acha que a discussão sobre sexo em locais públicos é válida?
“Vi sim. E vou ser direto: o problema não é o sexo, é a hipocrisia. Todo mundo transa, todo mundo tem desejo, mas quando é exposto , mesmo que sem intenção, vira escândalo. Agora… é importante separar tesão de responsabilidade. Eu entendo o fetiche, entendo o desejo pelo proibido, mas lugar público envolve outras pessoas, envolve criança, envolve quem não consentiu ver aquilo. Então tem que ter consciência.
Eu mesmo curto a provocação, o risco, o limite. Já gravei coisa em lugar semi-público. Mas sempre com respeito ao ambiente, evitando exposição de terceiros. A discussão é válida, sim, mas o Brasil ainda não tá maduro pra falar de sexo sem jogar pedra. E outra: quando é casal hétero, vira polêmica. Quando é casal liberal, como eu e a Bella, vira julgamento. Se fosse eu ali, a manchete seria “o corno exibicionista ataca de novo”. O moralismo seletivo é o verdadeiro problema.”
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