
Elegante e sereno, cercado por uma coleção de obras de arte contemporânea, em apartamento impecável na Avenida Tívoli, em São José dos Campos, o maestro José Roberto Cannizza chega aos 70 anos com espírito de recomeço, às vésperas do relançamento público do coral Vocalis. O grupo encerrou as atividades nos anos 2000.
Dirigido por Cannizza, o Vocalis marcou a cena cultural da cidade a partir da sua criação, em 1995. No seu auge, foi considerado o melhor coral do Estado de São Paulo, título atribuído em 1998 pelo Mapa Cultural Paulista.
Um grupo de coralistas de uma nova formação, entusiastas da boa música, já ensaia para a rentrée no sarau do Espaço Civile, no dia 28 de junho. Três obras de compositores norte-americanos farão parte da programação dedicada à Música das Américas, elaborada pela pianista Rosana Civile.
Espaço Civile
Rosana é curadora e organizadora dos saraus no Espaço Civile e integrante do Grupo Hespérides, que resgata e promove a Música das Américas.
Os ingressos para o sarau de junho estão esgotados, mas haverá mais dois encontros no Espaço Civile em 2025, em agosto e outubro. Fique atento à programação. Os saraus são beneficentes e ajudam o trabalho do Gesto (Grupo de Estímulo e Solidariedade ao Tratamento Oncológico) – gestosjc.org.br/@gestogruposjc
“Nesse processo de reconstrução do Vocalis, espero poder colaborar trazendo a minha experiência de Theatro Municipal de São Paulo”, diz a pianista, ressaltando que o grupo Vocalis “marcou o movimento coral da cidade e da região”.
Afinação indispensável
Cannizza, pianista com especialização em regência coral, é detalhista, quer dar agora um tom mais profissional ao grupo. É rigoroso ao selecionar candidatos afinados e com bom timbre, capricha na curadoria musical. Foram justamente esses cuidados que alavancaram o Vocalis. No extenso repertório, composições de Händel, Vivaldi, Purcell, Mozart…
É bom lembrar que, na sua passagem pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR), como diretor cultural, deixou também como legado o Coro Jovem, de formação de cantores, sendo que alguns artistas estão hoje na ativa em vários cantos do mundo.
Madrigal Música Viva
São José dos Campos viveu momentos de glória do canto coral a partir de 1979, com o Madrigal Música Viva (que surgiu ampliando o repertório de integrantes do coral da Igreja Presbiteriana Central de São José dos Campos).
Era um coral “fomentador”, diz Cannizza, já que outros coros foram criados a partir dele (o Libercanto é outro exemplo), um movimento comum no dia a dia dos corais. O Música Viva obteve grande sucesso de público e foi um dos orgulhos da cidade.
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De casamentos à Sala São Paulo
Quando Cannizza mudou-se para São José, nos anos 1980, para dar aulas na Univap, vindo de São José do Rio Preto, passou a integrar o Música Viva, então sob a regência do maestro Walter Lourenção.
Posteriormente, juntamente com outros coralistas do grupo, fundou o Novalis, formado principalmente para apresentações em casamentos. A inquietação dos artistas falou mais alto e não demorou para o grupo sair da rotina dos casamentos, sendo convidado para apresentações públicas. Com ênfase em canções da tradição renascentista, o Vocalis sempre valorizou também o “instigante repertório brasileiro”.
Cannizza destaca as inúmeras participações do Novalis como base vocal em concertos da Orquestra Sinfônica de São José dos Campos (orquestra que ajudou a criar e que foi extinta nos primeiros acordes da gestão Felício Ramuth, na batucada dos cortes de gastos).
Na prestigiada e prestigiosa Sala São Paulo, na capital, o Novalis se juntou aos Canarinhos de Petrópolis para acompanhar a Orquestra Sinfônica de São Bernardo na Quinta de Beethoven. Além da Sala São Paulo, o coral joseense também arrancou aplausos na capela do Pátio do Colégio e na Igreja de São Bento. Participou também do Festival Internacional de Coros, na Argentina.
Misa Criolla

Uma das performances que a cidade não esquece foi a montagem da Misa Criolla, do argentino Ariel Ramirez. Várias foram as apresentações aclamadas pela beleza e profissionalismo.
Excelente matéria! Por favor, é preciso corrigir onde foi redigido “Novalis”. Acompanho a trajetória do grupo e ele sempre se chamou “Vocalis”.
José Roberto Cannizza é orgulho de São José dos Campos. Sempre fez brilhar o nome da cidade, dos projetos que liderou, e dos coros que regeu, onde quer que tenha se apresentado. Merece todo reconhecimento e o recente retorno é um grande presente que ele nos proporciona.
Muito feliz por sua decisão! Sucesso!