
Um banquinho dobrável, um chapéu (pode ser igual ao de um caçador de borboletas), uma garrafa d’água, papéis, cadernetas (há de todos os modelos e para todos os bolsos), cadernos, lápis, grafites, um conjunto de aquarelas, até um tripé… E calma, muita calma.
Esses são os ingredientes comuns usados por grupos de desenhistas (de todos os níveis de habilidade, desenvoltos em muitas técnicas), espalhados hoje por vários cantos do mundo.
Eles reservam momentos de suas vidas para registrar detalhes de seu meio ambiente, no sentido mais amplo do termo, que inclui com destaque o espaço arquitetônico e pode ter até uma dimensão antropológica.
Em São José dos Campos temos urban sketchers (USK-SJC) entusiasmados. Basta conferir no site do grupo (um grupo aberto, livre, gratuito, com encontros mensais) a série de eventos já realizados na cidade com o objetivo exclusivo de desenhar.
Desenhar a matriz, a antiga Câmara, a grande árvore da chuva no Parque da Cidade, o sanatório, as palmeiras imperiais… Desenhar, como sempre pregaram os criadores do movimento, nascido em Nova York, em 2007.




Desenhar também como contraponto ao mundo frenético, à enxurrada de fotografias, um elogio às sensibilidades individuais, enfim ao que se convencionou chamar de slow life.
Os desenhistas joseenses estarão ativos agora no sábado dia 3 de maio, no centro de São Francisco Xavier, distrito da cidade cultuado pelas paisagens naturais e que persevera na preservação de alguns ícones arquitetônicos, que serão alvos de muita observação: a própria igreja, alguns casarões centrais, o tradicional coreto.
O programa incluirá “exposichão”, quando os sketchers mostram seus trabalhos na própria calçada, democratizando o consumo da arte.
P.S. Esta coluna é uma pequena homenagem ao jornalista Ricardo Julio, que sempre foi um observador e é um sketcher de mão cheia.