
Em uma descoberta que emocionou pesquisadores, uma tartaruga-verde marcada há 24 anos em Ubatuba, no litoral norte, foi reencontrada desovando na Praia da Quixabinha, em Fernando de Noronha.
Este é o primeiro registro do Projeto Tamar de um animal marcado ainda jovem em área de alimentação sendo posteriormente identificado em área de reprodução, comprovando as rotas migratórias desta espécie.
A jornada da tartaruga
- Janeiro/2001: Capturada acidentalmente por pescadores no Camburi (Ubatuba), media 49cm e pesava 13kg. Recebeu marcas metálicas do Tamar nas nadadeiras.
- Maio/2025: Reencontrada desovando em Noronha, agora com 103cm de carapaça – mais que o dobro do tamanho original.
- Tempo de maturação: Leva cerca de 30 anos para atingir a maturidade sexual.
Os registros confirmam a conexão entre:
- Áreas de alimentação (Ubatuba e Praia do Forte).
- Áreas de reprodução (Fernando de Noronha).
Uma segunda tartaruga, marcada em 2010 na Praia do Forte (BA), também foi identificada desovando em Noronha.
Importância científica
Origem das tartarugas: Estudos genéticos dos anos 90 indicam que as de Ubatuba vêm de locais como:
- Ilha de Ascension (meio do Atlântico).
- Atol das Rocas (RN), Trindade (ES) e até Caribe.
- Durabilidade das marcas: Marcas de aço-inox permaneceram legíveis após 24 anos.
- Conservação: Dados ajudam a proteger rotas migratórias e habitats críticos.

Henrique Becker, coordenador do Tamar em Ubatuba que marcou o animal em 2001, destacou que este encontro foi recompensador e gratificante para as equipes de campo do projeto.
Desde 1991, o Projeto Tamar ajudou mais de 12 mil tartarugas, que são marcadas e soltas.