
No último dia 20 de março, Dia Internacional da Felicidade, a ONU divulgou o Relatório Mundial da Felicidade 2025.
O Brasil subiu oito posições no ranking global, alcançando a 36ª colocação entre 147 países avaliados. À primeira vista, parece que estamos mais felizes e, sim, há razões para comemorar.
Mas o retrato do bem-estar emocional da população brasileira é mais complexo e nos leva a refletir: afinal, como podemos falar de felicidade em um país com números alarmantes de ansiedade, depressão e afastamentos por transtornos mentais?
O que o ranking da ONU avalia?
O ranking da ONU mede a felicidade com base em seis pilares:
- Renda per capita
- Apoio social
- Expectativa de vida saudável
- Liberdade de escolhas
- Generosidade
- Percepção de corrupção
No caso do Brasil, os dois primeiros foram os que mais contribuíram para a melhora na posição global. Na América do Sul, somos o segundo país mais feliz, atrás apenas do Uruguai.
O paradoxo brasileiro: felicidade e sofrimento emocional
Apesar do avanço no ranking, há dados preocupantes:
- O Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, com 9,3% da população afetada (cerca de 18 milhões de pessoas), segundo a OMS.
- A prevalência de depressão chega a 15,5%.
- Os afastamentos do trabalho por transtornos mentais ultrapassaram 440 mil casos em 2024, segundo o INSS.
Essa dicotomia entre otimismo coletivo e sofrimento emocional individual pode ser explicada, em parte, pelo nosso forte senso de comunidade e resiliência cultural.
O brasileiro compartilha dores e alegrias, valoriza encontros e celebrações — aspectos que o relatório chama de “apoio social” e que se revelou um dos nossos maiores trunfos.
Como isso se conecta à prática ESG?
O “S” de Social, muitas vezes negligenciado, é a chave desse debate. Cidades como São José dos Campos, um polo de inovação, ciência e qualidade de vida no Vale do Paraíba, demonstram como políticas públicas bem estruturadas e parcerias entre setor privado, academia e sociedade civil impactam diretamente o bem-estar da população.
A cidade se destaca em IDH, com avanços em saneamento, mobilidade, educação e saúde, fatores fundamentais para um ambiente emocionalmente saudável.
Empresas e a felicidade no trabalho
No setor privado, práticas como:
- Ambientes de trabalho saudáveis
- Ações de escuta ativa
- Programas de apoio psicológico
- Diversidade e governança inclusiva
não são apenas tendências, mas imperativos éticos e estratégicos. O relatório da ONU aponta que trabalhadores que confiam em colegas e líderes tendem a relatar maior satisfação de vida — um dado que reforça a importância da governança (“G”) na construção de culturas corporativas empáticas.
Felicidade também é regeneração
O bem-estar também está ligado ao cuidado com o meio ambiente. Um rio limpo, um parque acessível, um ar respirável influenciam diretamente nossa saúde física e mental.
Na região Sudeste, iniciativas que unem ESG e soluções baseadas na natureza (como os projetos da O2eco Tecnologia Ambiental em São José dos Campos) são provas de que é possível regenerar territórios e, com eles, comunidades inteiras.
Mais de ESG na Prática:
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A ciência da felicidade
O livro “A Vida Boa”, de Robert Waldinger e Marc Schulz, baseado na pesquisa de Harvard sobre desenvolvimento adulto (que persiste há quase 100 anos), mostra que relacionamentos saudáveis e significativos são o fator mais importante para uma vida longa e feliz — mais do que dinheiro, fama ou sucesso profissional.
Felicidade é um processo
Os números do Relatório Mundial da Felicidade 2025 são importantes, mas são o ponto de partida, não de chegada. Felicidade não é um destino fixo, mas uma construção contínua, que se faz com cuidado, políticas públicas sérias, empresas conscientes e, principalmente, com relacionamentos genuínos.
É hora de descentralizar a felicidade, tirá-la das métricas frias e colocá-la na prática — no cuidado com as pessoas, com o ambiente e com a governança. Felicidade, no fundo, é ESG em ação.