As versões são contraditórias… Na minha memória, o filme era “O Iluminado”. Na memória da mãe dele, o filme era outro, “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”.
Seja qual for a versão correta, o certo é que foi no cinema, na noite de 30 de janeiro, na última sessão de cinema, que a bolsa estourou e tivemos que sair às pressas da sessão, embarcar correndo num táxi e ir às pressas para o antigo Hospital de Clínicas de Taubaté.
Adriana subiu para o quarto, eu corri até em casa para pegar a bolsa já preparada do bebê e, minutos depois, entrei na sala de parto, de onde sai carregado, minutos depois.
Explico: com o parto próximo e a vontade da mãe em ir ao cinema antes do segundo filho nascer, trabalhei o dia inteiro, não almocei, não jantei e tive uma crise de hipoglicemia em pleno centro cirúrgico. Que papelão! Deitado no vestiário dos médicos, tomando glicose na veia, escutei, pela primeira vez, o choro do meu filho.
Voltei à sala de parto a tempo de vê-lo no berço térmico. Minha vida, que já havia dado uma cambalhota um ano e meio antes, com o nascimento da Marina, deu, nesta hora, um duplo twist carpado e nunca mais voltou ao lugar. Aterrissou, feliz, em um lugar melhor, muito melhor. E assim foi, a cada novo nascimento, do Julio e do Felipe.
Essa é a versão resumida do nascimento do Guilhermo. Ele nasceu Mário, mudou de nome a caminho do cartório (homenagem ao avô materno, Luiz Guillermo, e ao escritor cubano Guillermo Cabrera Infante) e, no último 30 de janeiro, completou mais um ano de vida. É uma data muito feliz.

Guilhermo é o poeta da família, um artífice no trato das palavras, criativo, generoso com as pessoas. Mais de 40 anos depois daquele 30 de janeiro, o nome do filme (qual será mesmo?) se perdeu nas dobras da memória, mas o enredo principal daquela noite permanece sendo escrito e reescrito pela gente.
Feliz aniversário…
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