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    Mulher

    Não é uma sentença definitiva: elas venceram o câncer de mama

    23 de outubro de 2024Updated:24 de outubro de 2024Nenhum comentário6 Minutos de Leitura
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    Por muito tempo as palavras câncer de mama foram praticamente impronunciáveis já que o nome, comumente substituído por “doença ruim”, de fato, assusta. No Brasil, essa é a doença que mais mata mulheres e, somente no ano de 2021, 18.139 mulheres foram vítimas, de acordo com o último relatório de mortalidade do INCA (Instituto Nacional de Câncer)

    A prática do autoexame é válida. Porém, mais importante que isso, é visitar o ginecologista regularmente e fazer exames. A realização da mamografia é recomendada pelo Ministério da Saúde a cada dois anos para mulheres com idade entre 50 e 69 anos. Abaixo dos 40, o exame é indicado em caso de suspeita de síndromes hereditárias ou para complementar o diagnóstico de nódulos palpáveis.

    “A consulta ginecológica é importante para a realização do exame anualmente em pacientes acima de 40 anos. O exame clínico das mamas também é fundamental em pacientes jovens, principalmente para detectar nódulos ou situações de anormalidade. É sempre bom não esquecer do autoexame, pois o câncer é uma doença agressiva que se desenvolve rapidamente. Portanto, além da mamografia, é ideal realizar também o autoexame.”, explica a doutora Elisa Coppio Pinotti, ginecologista, obstetra e sexóloga.

    Em São José dos Campos, foi em consultas e exames de rotina que algumas das pacientes atendidas pelo GAPC (Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer) descobriram o câncer de mama. Passar pelo tratamento e ter de repensar toda a vida exigiu de Teresinha, Luciana, Elaine e Márcia, muita força e coragem. Conheça um pouco sobre a história daquelas que venceram: 

    Leia mais: Ela perdeu a primeira filha no fim da gestação e ressignificou o luto ao falar dos sentimentos

    Teresinha Sá, 75 anos

    (Crédito: Arquivo pessoal)

    “Tive câncer há 22 anos. Durante um exame de rotina, eu notei diferença e o resultado indicou câncer de mama. Fiz cirurgia, mas não fiz radio e nem quimioterapia. 

    Após dois anos, apareceu de novo, em outra mama. Retirei completamente e precisei passar pela radioterapia. Tomei remédio durante cinco anos, mas o médico me deu alta em um ano.

    Fiz a reconstrução mamária, mas não me adaptei. Agora, só faço acompanhamento e estou esperando para receber alta devido ao último câncer.

    No começo, o chão se abriu, mas tirei de letra. A mulherada fala que não consegue nem se olhar no espelho, mas eu olho tranquila e já até desfilei. O meu conselho é: não tenha medo, quanto mais rápido puder, procure um médico, pois esse foi meu;  descobri logo no começo e fiz a retirada total.”

    Luciana Martins, 46 anos

    (Crédito: Arquivo pessoal)

    “Era tudo normal e eu não desconfiava. Mesmo fazendo o autoexame nunca suspeitei de nada. Um dia fiz uma mamografia que não apresentou nada de anormal, mas me lembrei de dizer à doutora que, no dia do exame, havia saído uma secreção dos meus seios.  Foi aí que ela pediu um ultrassom e descobrimos dois nódulos.

    Quando descobri a doença pensei que ia morrer, porque todo mundo pensa isso e meu pai morreu de câncer. Mas graças a Deus, isso não aconteceu. Ainda estou em tratamento mas o pior já passou e agora é só superar isso e seguir em frente. Consegui ter esperança por meio da minha família, dos médicos e também com muita terapia pelo GAPC, onde participava de grupos com pessoas que também têm câncer. Assim, fui ganhando mais força em Deus e na medicina.

    Eu passei pela cirurgia, depois fiz quimoterapia, radioterapia e reconstrução mamária. Agora estou na fase da imunoterapia. Depois de tudo que passei, dou valor às pequenas coisas, porque antes deixava passar batido. A gente não sabe quanto tempo resta, então procuro aproveitar ao máximo.”

    Elaine Gomes, 46 anos

    (Crédito: Arquivo pessoal)

    ” Eu sempre tive um cravinho no seio, que, quando tirava, voltava. Em um certo dia, enquanto estava tirando, senti um carocinho. Comecei a achar estranho, até que percebi minha mama muito dolorida e o carocinho maior.

    Fui para UPA e chegando lá já tinha cerca de 2 centímetros. O médico me encaminhou para o posto de saúde para consultar uma ginecologista. Foi aí que fiz exames de mamas. Eu nunca tinha feito, porque na minha família ninguém teve câncer de mama. 

    A médica me recomendou uma biópsia e disse para eu ficar tranquila, porque ela mesma acreditava que fosse somente uma bola de gordura. Mas, quando saiu o resultado, até ela chorou, porque não esperava por isso; era um carcinoma.

    A única pergunta que fiz foi: ‘Quanto tempo eu tenho de vida?’. Quando a gente não tem informação, a gente realmente se mata, mas ela [a médica] me tranquilizou. Retirei o nódulo, fiz quimioterapia, radioterapia e finalizei o tratamento.  

    Minha família sempre esteve do meu lado e, nesse período, me uni ainda mais a eles. Na época, eu estava com depressão, e isso veio para me sacudir, para eu cuidar de mim, olhar pra mim e viver mais. Eu só tenho a agradecer, mesmo tendo sido câncer, ele veio para me ensinar muita coisa. Hoje procuro viver todos os momentos, todos os dias. Antes do câncer minha vida era pacata.”

    Márcia Gonçalves, 48 anos 

    (Crédito: Arquivo pessoal)

    “Quando descobri o câncer, além da mama, ele já estava no músculo e nos linfonódulos. Retirei a mama completamente, fiz o esvaziamento axilar e do músculo. Fiz quimioterapia e radioterapia.

    Ao terminar o tratamento e repetir os exames, descobri nódulos em outras regiões, que comprometeram minha estrutura óssea na região da bacia, no pulmão do seio direito e do tórax. Fiz quatro cirurgias de uma vez, além de quimioterapia e radioterapia.

    Eu busquei encarar tudo com sorriso no rosto, fé e esperança, colocando na minha cabeça que tudo ia passar. Meu esposo foi um grande parceiro, me acompanhando em consultas e exames. Sou muito grata a Deus por ter colocado pessoas maravilhosas e tão especiais ao meu redor. 

    A Márcia, antes do diagnóstico, tinha acabado de terminar a faculdade de pedagogia e já trabalhava em uma escola, mas teve que se afastar por causa do tratamento. Essa foi a fase mais difícil, do tratamento, de afastar-me dos meus sonhos. Mas a gente não pode deixar isso morre jamais; isso tem que ser utilizado. 

    Se pudesse dar um conselho para mulheres que passam pelo câncer de mama, eu diria: jamais desistam e não vejam como uma sentença de morte, mas sim como oportunidade de crescimento. Tirem coisas boas e olhe pelo positivo.”

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