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    Você está em:Início » Caso Joca: Justiça está de olhos vendados para os animais!
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    Caso Joca: Justiça está de olhos vendados para os animais!

    21 de outubro de 2024Nenhum comentário3 Minutos de Leitura
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    Vida de bicho no Brasil não é fácil, e nos tribunais da Justiça está ainda mais complicada!

    O caso do cão Joca, um Golden Retriever, de 5 anos, que foi embarcado erroneamente para Fortaleza por empresa da Gol e de lá do Ceará retornou em outro avião para o aeroporto de Guarulhos, onde chegou morto, não deu em nada do ponto de vista criminal.

    O tutor João Fantazzini e o cão Joca
    O tutor João Fantazzini e o cão Joca (Créditos: Arquivo pessoal)

    A tragédia aconteceu em abril deste ano, mas agora em outubro o Ministério Público do estado de São Paulo pediu o arquivamento do processo criminal do caso Joca. A Justiça acatou o arquivamento ao entender que não houve intenção da empresa ou de funcionários de causar danos ao cachorro, ou seja não houve deliberadamente o ato de maus-tratos.

    O crime de maus-tratos é o único possível neste caso do Joca. Coisas da lei dos humanos!

    Se um motorista ao volante comete um erro e mata alguém pode ser processado por homicídio culposo, sem intenção de matar, mas se esse alguém é um cachorro, como não há a intenção clara, não há crime. É o que se pode interpretar da decisão.

    A lei que prevê maus-tratos contra animais, segundo afirma o Ministério Público, não prevê casos “culposos”, sem a intenção de causar o dano, apenas os casos “dolosos”, em que há a intenção de maltratar, ferir ou matar um animal.

    No processo do cão Joca, o Ministério Público entendeu que não há elementos suficientes na investigação policial que apontem ação deliberada de prejudicar o Joca. Sem essa condição, não há crime (na legislação dos bichos)!

    O destino correto do cachorro Joca era o Mato Grosso, onde o seu tutor o esperava. Um voo de 2h30 virou um de 8 horas, com calor absurdo no aeroporto de Fortaleza, e retorno para São Paulo. Segundo laudo, a morte se deu por choque cardiogênico, dentro da caixa de transporte.

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    No mínimo, houve negligência na troca dos voos e falta de assistência veterinária lá em Fortaleza para avaliar se um ser, de raça peluda, não corria o risco de um hipertermia, estresse agudo e morte.

    Os advogados do tutor de devem recorrer da decisão.

    O tutor, João Fantazzini Júnior, sofreu a perda de Joca como se fosse um integrante da família. João e Joca iam morar em Sinop, no Mato Grosso, onde o tutor ia começar nova vida em novo emprego.

    É de se lamentar o fato da legislação não levar em conta também o sofrimento de João Fantazzini Júnior. O luto pela perda do amigo canino deveria ser suficiente para levar a negligência da empresa ao tribunal.

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    Ricardo Osman

    Ricardo Osman

    Nascido no Rio de Janeiro, Ricardo é formado em Comunicação Social pela UFRJ e em Medicina Veterinária pela FMU, em São Paulo. Autor de livro sobre uma vira-lata (Estrela e o Quarteto Mágico), também mestre em Saúde e Bem-Estar Animal.
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