O avião hipersônico da Hypersonix deve fazer seu primeiro voo no ano que vem, numa viagem de apenas duas horas de Londres a Sidney, ou seja, a uma velocidade de seis mil quilômetros por hora, cinco vezes maior que a velocidade do som.
O motor scramjet da aeronave é movido a hidrogênio, considerado o combustível do futuro. Para muitos especialistas, a melhor alternativa para abastecer veículos automotores nessa época de busca de emissão zero. A célula de combustível faz o hidrogênio reagir com oxigênio, gerando eletricidade para alimentar o motor elétrico.
As vantagens do hidrogênio são enormes: ele não emite nada além de água, e limpa!, tem grande autonomia e a possibilidade de um rápido abastecimento, uma grande vantagem em relação ao veículo que usa bateria.

A tecnologia está pronta, várias montadoras já dispõem a célula de combustível a hidrogênio para uso comercial – conforme você vai ver mais adiante -, mas a tecnologia ainda tem que vencer desafios.
A rede de postos de abastecimento de hidrogênio ainda é muito limitada, mesmo na Europa, Japão, e Califórnia, regiões onde o uso está mais avançado. A produção ainda é cara, principalmente se a opção for o hidrogênio verde, que é produzido a partir de fontes renováveis.
E há dificuldade também no armazenamento e transporte: por ter baixa densidade energética em volume, o armazenamento requer tecnologia avançada e infraestrutura dedicada.
Mas é preciso ficar atento à produção do hidrogênio. Todas as vantagens podem cair por terra se o combustível vier de fontes sujas. O hidrogênio verde, por exemplo, é produzido a partir de eletrólise da água usando eletricidade de fontes renováveis, de forma que resulta num combustível não poluente.
Já o hidrogênio cinza é feito a partir de gás natural, que emite carbono no processo, enquanto o hidrogênio azul, embora seja produzido com gás natural, faz a captura e armazenamento de carbono para reduzir emissões, ou seja, é a opção intermediária entre o verde e o cinza.
Há ainda variações, classificadas por outras cores, conforme o nível de emissões, seja na emissão pelo uso, seja no processo de fabricação. O hidrogênio Preto é produzido a partir da gaseificação do carvão, e tem grandes emissões de CO₂, pior do que o cinza.
O hidrogênio Turquesa é resultado de um processo chamado pirólise de metano, que decompõe o metano em hidrogênio e carbono sólido: ele não gera emissões de CO₂ diretamente, mas pode emitir conforme a fonte de energia usada no processo.
O hidrogênio Amarelo é produzido por eletrólise da água usando energia nuclear: não emite gases de efeito estufa, mas impacta nos resíduos e riscos na segurança do processo de produção da energia. E o hidrogênio Branco, que é natura, proveniente de reservas geológicas, mas sua exploração é muito limitada.
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Toyota, Honda, Hyundai e BMW são algumas das grandes montadoras globais que investem pesado na tecnologia e já têm carros rodando com o uso do hidrogênio.
O Toyota Mirai foi um dos primeiros carros que usaram célula de combustível. Chegou em 2014 e já está na segunda geração. Tem uma autonomia de 650 quilômetros.
O Hyundai Nexo é um SUV lançado em 2018 na Coreia, um carro com tecnologias avançadas de direção autônoma (nível 2) e conta com equipamentos de última geração em relação a conectividade e segurança.
O Honda Clarity Fuel Cell chegou em 2016, oferecendo uma alternativa a veículos elétricos a bateria com desempenho semelhante ao de veículos tradicionais a gasolina, com uma autonomia de 589 km.
O BMW iX5 Hydrogen é o mais novo deles, ainda em fase de testes, um projeto desenvolvido em parceria com a Toyota, com dois tanques de hidrogênio que proporcionam 500 km de autonomia.
Além deles, várias montadoras desenvolveram a tecnologia para uso do hidrogênio em veículos comerciais, como a Nikola, a H2Bus, Daimler e Volvo, além de Toyota e Hyundai.
Os especialistas garantem que o hidrogênio é uma aposta promissora no contexto de mobilidade limpa e transição energética sustentável.
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