A decoração com flores de merengue, morangos, damascos e outras frutas cuidadosamente agrupadas sobre o bolo retangular ajudariam a entregar um pouco da idade do aniversariante Fernando de Mendonça se não fosse o aviso de “100 anos” feito de chocolate.
Apesar de ter nascido em dezembro, o fundador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) já comemorou entre amigos nesta terça-feira (24) “um século de vida”.
A festa aconteceu no CAEB (Centro Ambiental Eduardo Bonetti), em São José dos Campos, onde Mendonça, a esposa Márcia Barberio e um pequeno grupo se encontram todo mês. “Ontem foi o que chamamos jocosamente de ‘festejos comemorativos do primeiro centenário'”, brincou Márcia.
O engenheiro elétrico e pesquisador apareceu feliz da vida nos registros dos amigos publicados no Facebook, que também resiste ao tempo e se mantém como um baú de memórias para bastante gente.
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Alcimar Lima homenageou Mendonça com um micropoema: “O tempo não passa, sou eu compasso”. Fabiano Roxo, reitor do Centro Universitário Etep, que não pôde estar presente, compartilhou as fotos recebidas da comemoração e também deixou os parabéns. “Tenho plena certeza de que foi uma celebração grandiosa, à altura de sua trajetória incrível. Seu legado é uma verdadeira inspiração para todos nós”, escreveu em seu perfil.
A trajetória de Fernando de Mendonça
Fernando de Mendonça nasceu em 2 de dezembro de 1924, em Guaramiranga, no Ceará. Após concluir o ginásio no Liceu do Ceará, ingressou na Força Aérea Brasileira em 1943 e serviu no Grupo de Bombardeio do Recife até 1948. Posteriormente, atuou na Diretoria da Aeronáutica Civil, colaborando na organização do serviço de inspeção e exames para pilotos civis.
Em 1951, iniciou o curso de Engenharia Eletrônica no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), onde se graduou com “Summa cum Laude” – uma honraria por obter a máxima qualificação possível em uma titulação universitária.
Após a graduação, obteve uma bolsa da Capes para estudar na Universidade Stanford, onde completou o PhD em Radiociência com o apoio da NASA, a agência espacial dos Estados Unidos.
Estudos espaciais
De volta ao Brasil, Fernando desempenhou um papel fundamental na criação da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CNAE) e na construção da Base de Lançamento de Foguetes no Rio Grande do Norte.
Entre 1963 e 1976, participou da criação e foi o primeiro diretor geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), coordenando o treinamento de pesquisadores e promovendo a cooperação internacional com instituições como a NASA e centros de pesquisa europeus. Hoje, o auditório do Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE leva o seu nome.
Nos anos seguintes, Mendonça promoveu o intercâmbio de cientistas latino-americanos e participou de importantes projetos internacionais de sensoriamento remoto e telecomunicações. Em reconhecimento ao seu trabalho, recebeu várias condecorações, incluindo a Ordem do Mérito Aeronáutico e o Prêmio Força Aérea Brasileira.
Durante a década de 1970, o pesquisador se destacou na área de telecomunicações e teleducação no Brasil. Em 1977, assumiu o cargo de Diretor Executivo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), onde liderou o treinamento de cientistas para o Programa Nuclear Brasileiro. A partir de 1983, passou a atuar no setor privado, especialmente em telecomunicações via satélite.
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