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    Animais Ok

    Será que a culpa é mesmo do remédio?

    27 de agosto de 2024Nenhum comentário3 Minutos de Leitura
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    Os remédios estão cada vez mais sendo tratados como juiz de futebol, se a melhora do pet não é imediata ele leva a culpa por tudo; e ainda bem que não tem mãe.

    Nestes tempos de redes sociais e de Inteligência Artificial, tutores estão ainda mais ansiosos por uma melhora instantânea dos males que sofrem seus cachorrinhos e gatinhos!

    Filhote de cachorro tomando remédio
    Filhote de cachorro tomando remédio (Créditos: Freepik)

    Mas há um tempo para tudo nesta vida, e os organismos, que não são máquinas, têm fisiologia complexa, etapas para cada resposta a uma enfermidade e por isso as coisas não são imediatas.

    Atualmente, a pressa, inimiga da perfeição, virou também adversária da cura, do restabelecimento da saúde dos pets em muitos casos em que há bons tratamento e medicamentos.

    Por dois motivos: o primeiro é que toda recuperação, seja de um vômito, uma verminose ou uma diarreia é lenta, exige a correção de um desequilíbrio eletrolítico, de pH do organismo, e isso obedece à curva de ação do medicamento e ao relógio celular de todos os seres vivos. O segundo motivo é que todo remédio (todos) tem algum efeito colateral. Mesmo a simples Dipirona, comumente usada como analségico.

    Há, porém, os casos mais alarmantes no cotidiano da medicina veterinária: aqueles em que o tutor apressado culpa o efeito correto (e esperado) de um medicamento de ser esse efeito o próprio problema.

    Um exemplo: o tratamento para os casos de infecção de cães e gatos por vermes intestinais e pelo protozoário Giárdia exige o uso de vermífugos. Seja aqui, seja nos Estados Unidos ou no Japão, as bulas dos vermífugos explicam que os vermes e a Giárdia serão mortos DENTRO DO INTESTINO.

    Esses parasitas não saem do paciente se arrastando para morrer fora do corpo.

    Fulminados dentro do intestino, vermes e protozoários liberam toxinas que vão provocar curta diarreia ou até vômito. Um mal estar passageiro, e previsto.

    Se a expectativa é de cura imediata, sem transtornos, pronto, está formado o caldeirão em que o remédio (vermífugo) será o alvo das queixas.

    – O problema foi esse remédio esquisito, diz a acusação. Meu bichinho não estava tão mal assim.

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    A bulas no Brasil e as internacionais explicam que a intensidade da diarreia ou do vomito, nestes casos, são diretamente proporcionais ao grau de infeção por vermes ou protozoários.

    Mas parece que ninguém tem mais tempo nem para ler a bula!

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    Ricardo Osman

    Ricardo Osman

    Nascido no Rio de Janeiro, Ricardo é formado em Comunicação Social pela UFRJ e em Medicina Veterinária pela FMU, em São Paulo. Autor de livro sobre uma vira-lata (Estrela e o Quarteto Mágico), também mestre em Saúde e Bem-Estar Animal.
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