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    Abuso dos anti-inflamatórios ameaça a saúde dos pets

    15 de julho de 2024Nenhum comentário3 Minutos de Leitura
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    Os anti-inflamatórios estão na moda, principalmente entre os tutores leigos em medicina veterinária, e depois do advento do Dr Google.

    Os tutores e tutoras de pet estão dando aos bichinhos anti-inflamatório para tudo: contra coceiras, contra dores musculares, contra problemas gástricos (o que só piora), tosse e quaisquer tipo de feridas e inchaços.

    O problema é que os anti-inflamatórios são medicamentos imunossupressores, ou seja, eles abaixam as defesas do organismo, irritam o estômago e alteram taxas de hormônios! Além disso, têm inúmeros efeitos colaterais!

    Gatinho com cabeça baixa, fazendo referência à importância de não medicar pets por conta própria, principalmente com anti-inflamatórios
    É importante não medicar seus pets com anti-inflamatórios de maneira improvisada (Créditos: Pexels)

    Os glicocorticóides causam hiperglicemia, aumentam consumo de água e produção de xixi, inibem na pele a síntese de material conjuntivo (colágeno, por exemplo) e causam fraqueza muscular.

    O que facilita o uso dos anti-inflamatórios é o fato de que, ao contrário dos antibióticos, a compra não exige receita. Como em alguns casos, o efeito favorável é imediato, todos ficam felizes. Mas é preciso destacar que inflamação é um processo (sequência inflamatória), deve ser vista como um sintoma, e não como a doenças, a infecções ou o trauma.

    Um cachorro com infecção pela Tosse dos Canis, bactéria que se fixa na garganta, necessita na verdade de antibiótico específico. Um anti-inflamatório e um antitussígeno estarão amenizando os sintomas e a dor. Sendo que se a tosse tiver secreção, é contra indicado tentar suspendê-la com um antitussígeno.

    Um paciente canino que toma anti-inflamatório com frequência para reduzir a coceira, o que é comum ver nos consultórios, em vez de tratar corretamente o problema dermatológico, corre o risco de apresentar baixa imunidade.

    É clássico na medicina veterinária os efeitos da imunossupressão registrados em um exame de sangue.

    O leucograma do cão exibe alta dos neutrófilos segmentados (células de defesa maduras). A partir do uso de anti-inflamatório esses neutrólifos segmentados ficam “retidos” na circulação sanguínea, e não seguem para os locais de infecção ou trauma.

    O leucograma exibe ainda queda significativa no número de Eosinófilos (um tipo de célula de defesa mobilizada normalmente contra parasitas intestinais) e queda no número de Linfócitos típicos. Os linfócitos são dirigidos para locais como linfonodos e baço, e saem da circulação sanguínea.

    Leia mais: SOS fauna: depois das águas no Sul, o fogo no Pantanal

    Por fim, o exame de sangue revela alta dos monócitos na circulação. Essas células, também conhecidas como monócitos fagocitários, igualmente ficam retidas no sangue circulante e não são apresentadas aos antígenos (invasores) ou partículas de materiais.

    Nos gatos, o resultado do exame de sangue é um pouco diferente, mas normalmente apresenta no leucograma alta dos monócitos (retidos na circulação sanguínea).

    Fácil ver que diante do abuso de anti-inflamatório o cão ou o gato estão sujeitos a quaisquer tipos de infecções, pois trata-se de um quadro de imunossupressão. Há um bloqueio no sistema de defesa do corpo.

    A medicina humana alerta para os riscos da automedicação. No universo veterinário, vale também esse alerta.

    Evite a medicação improvisada, a auto-pet-medicação!

    Consulte sempre um médico veterinário. Seu pet merece todos os cuidados.

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    Ricardo Osman

    Ricardo Osman

    Nascido no Rio de Janeiro, Ricardo é formado em Comunicação Social pela UFRJ e em Medicina Veterinária pela FMU, em São Paulo. Autor de livro sobre uma vira-lata (Estrela e o Quarteto Mágico), também mestre em Saúde e Bem-Estar Animal.
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