As últimas semanas do Instituto Argonauta foram marcadas pelo atendimento a quatro ocorrências de baleias-jubartes, encontradas mortas no Litoral Norte de São Paulo. Segundo o órgão, que tem como objetivo a conservação do meio ambiente, em especial dos ecossistemas costeiros e marinhos, sobe para seis o número de ocorrências de baleias-jubartes encontradas mortas nos últimos meses na região.

Em São Sebastião foram três registros, nas praias de Guaecá, Boraceia e Paúba. Em Ubatuba, uma carcaça de baleia foi avistada por pescadores na região da praia da Picinguaba, porém quando a equipe do monitoramento embarcado do PMP-BS se dirigiu ao local, não conseguiu localizá-la.
Apesar do estado avançado de decomposição que se encontravam, foi possível observar que se tratava de baleias-jubarte juvenis (Megaptera novaeangliae), porém, não permitiram chegar a uma conclusão da causa da morte destes animais.
“Além das possíveis causas naturais, a mortalidade destes animais pode estar relacionada a várias causas, entre elas falta de alimento, doenças e interação incidental com a pesca e até mesmo abalroamento com embarcações”, disse o oceanólogo Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta.
As baleias-jubartes são mamíferos marinhos que podem atingir 16 metros de comprimento e pesar até 40 toneladas. São animais migratórios, que anualmente percorrem grandes distâncias ao longo da costa brasileiras no outono. E, no inverno, migram sentido ao nordeste do Brasil para reprodução, dar à luz e alimentar seus filhotes. É nessa época que cruzam o litoral paulista, aumentando os avistamentos em nossos mares. Durante o verão, retornam para os mares antárticos para se alimentarem.

Recentemente o número de indivíduos da espécie aumentou, e elas saíram da lista de ameaçadas de extinção.
Destino das carcaças
As carcaças foram registradas e tiveram materiais coletados que servirão para futuras análises e pesquisas sobre a ocorrência destes animais na região.
“Desenvolvemos uma técnica de encalhe e acompanhamento de decomposição de carcaças quando encontradas em alto mar, que é a melhor alternativa. Porém, quando os animais já estão encalhados na areia, o enterro da carcaça é a opção adequada. Quando esse enterro é realizado de forma correta, não oferece risco de contaminação às praias. Pelo contrário, este procedimento é uma prática segura e benéfica, pois as carcaças enterradas retornam nutrientes ao ambiente, contribuindo para a manutenção da saúde do ecossistema local”, informou Gallo Neto.
Nestes casos, segundo nota do Instituto Argonauta, a colaboração da Prefeitura de São Sebastião tem sido fundamental na realização dessas operações para o destino e enterro das carcaças, garantindo que o processo seja realizado de maneira eficiente e segura, minimizando impactos ambientais e preservando a saúde pública.
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