O Parque da Cidade em São José dos Campos em breve não será exatamente o mesmo que conhecemos hoje. No projeto de concessão apresentado pela Prefeitura, as possibilidades de atrações e novas atividades após a injeção de verba privada são muitas, algumas delas extravagantes, como uma roda gigante.
Parte do dinheiro investido também deve ser aplicado na revitalização do parque e na preservação da natureza local. O Parque da Cidade abriga lagos, as fotogênicas palmeiras imperiais e também os jardins autorais de Roberto Burle Marx, que podem virar objetos de estudo e salas de aula.

Com tanto recurso no solo, a Sociedade Amigos do Parque da Cidade defende que seja criada uma escola de paisagismo e jardinagem por lá. A ideia esteve em pauta em seminário realizado nesta terça-feira (7) sobre o futuro do parque. O debate foi promovido pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo.
A ideia da escola avança a passos lentos, segundo revelou o arquiteto Ricardo Veiga ao podcast talkmais. Presidente da sociedade dos amigos do parque, ele afirmou que foi feito um contato inicial com a Univap (Universidade do Vale do Paraíba) para idealizar o formato das aulas aproveitando o jardim. Um protocolo até foi aberto, mas a universidade ainda não retornou.
“Essa escola poderia oficializar essa profissão. Tanto da jardinagem como do paisagista. Porque quando a gente vai fazer a recuperação dos jardins do Bourle Max, automaticamente você tem que montar um viveiro. Tem que ter uma equipe residente ali do jardim. E isso nos trouxe a ideia e a oportunidade de falar que temos o campo, o viveiro e os profissionais. Só falta distribuir esse conhecimento para a população”, disse Veiga.
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Alexandre Penedo, renomedo arquiteto da cidade que hoje colabora com os Amigos do Parque, acredita que o jardins de Burle Marx podem ser trabalhados em temporada por meio de um conceito artístico e visual que junta arquitetura com a jardinagem. Os pavilhões da Serpentine Galleries, famosas galerias de arte no centro de Londres, na Inglaterra, são referência dentro desta proposta.
Todos os anos, desde 2000, a Serpentine encomenda um pavilhão de verão temporário a um arquiteto de renome. A série apresenta o trabalho de um arquiteto ou equipe de design internacional nos jardins e gramados das galerias por três meses para o público explorar. Zara Hadid (2000), Oscar Niemeyer (2003) e Frank Gehry (2008) levaram suas concepções ao projeto.
“Isso é muito interessante e não temos esse tipo de expertise aqui no Brasil. É uma forma talvez até de ampliar a percepção potencial do público”, disse Penedo, que refuta a montagem de um haras, uma das ideias cogitadas para o parque, ao invés da proposta de paisagismo.
O que prevê o projeto de concessão do Parque da Cidade
O plano define que o investimento privado deve chegar a R$ 181 milhões, com quase 56% desse valor sendo aplicado já nos primeiros três anos de operação e o restante ao longo de 25 anos.
Todo esse dinheiro será usado para revitalizar o parque e trazer diversos outros atrativos, como uma roda gigante, shopping, restaurante, teleférico, um novo teatro, salas de cinema e até mesmo atividades radicais explorando a natureza do parque em terra e também o Rio Paraíba.
Essas construções todas ficarão a cargo da empresa que vencer a licitação, segundo anunciou a Prefeitura.
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