Como fez o então deputado federal Jair Bolsonaro em 1999, o vereador Thomaz Henrique (PL) sugeriu que o regime militar durante a ditadura deveria “ter matado mais”. A fala aconteceu em sessão na Câmara Municipal de São José dos Campos na terça-feira passada (2) e motivou um pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar.
A solicitação para que Thomaz perca seu mandato foi protocolada por um pré-candidato a vereador do PSD, Fabrício Filho, que também organiza uma manifestação na Câmara nesta terça (9), às 16h, contra o parlamentar.

Na sessão da última terça, Thomaz se posicionou contra uma moção movida pela vereadora Amélia Naomi (PT) em repúdio aos 60 anos do golpe militar de 1964 e em solidariedade às famílias dos mortos e desaparecidos durante o regime.
“Nós não vamos mais permitir que a esquerda continue escrevendo a história no Brasil. Em 1964, os militares impediram um golpe comunista em curso, a partir da revolução que os militares lideraram junto com o Congresso Nacional, junto com o Parlamento Brasileiro”, exclamou Thomaz Henrique durante a justificativa de seu voto.
“Essa moção que fala ali das vítimas, a maioria terrorista, bandido. Quem sabe se o governo militar tivesse matado mais comunistas, mais terroristas, a gente tinha evitado o que está acontecendo hoje no Brasil”, finalizou o vereador.
Os vereadores Walter Hayashi (União Brasil), Renato Santiago (União Brasil) e Lino Bispo (PL) também votaram contra a moção.
Vereador foi chamado de fascista
Rebatendo Thomaz, a vereadora Amélia Naomi foi ao microfone logo após o discurso e chamou o parlamentar de fascista.
“Eu quero repudiar a fala deste fascista, do vereador que disse que morreu pouco. Isto que ele falou. Fascista. Nós sabemos a história do que fizeram os militares. Aqui em São José dos Campos tem um vereador que foi torturado, infelizmente. Não só ele, mas muitas pessoas”, disse Amélia.
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Pedido de cassação é “procurar projeção”
Ao Portal SP RIO+, Thomaz manteve sua posição e afirmou que o governo militar, entre 1964 e 1985, “reagiu a criminosos”, e os que sobreviveram se filiaram a partidos de extrema-esquerda e “hoje destroem o país”.
O vereador afirmou que não defendeu que se mate alguém por ideologia, mas sim que comunistas terroristas, que “pegaram em armas para tentar implementar uma ditadura“, deveriam ter em confronto “o mesmo fim que qualquer outro bandido”.
Alvo do pedido de cassação por quebra de decoro, ele ainda enfatizou que encara com serenidade a ação e que acredita se tratar de uma tentativa de projeção em cima de sua imagem.
Veja a nota enviada pelo vereador na íntegra:
“A revolução de 64 foi um contra-golpe constitucional aprovado pelo Congresso Nacional para impedir um golpe comunista em curso no Brasil. A partir daí, os comunistas que formaram guerrilhas armadas se tornaram criminosos e promoveram ataques terroristas, roubos à bancos, sequestros e assassinatos de inocentes, como por exemplo o do soldado Mário Kozel Filho. O governo militar reagiu e estes criminosos foram mortos em confronto. Os que sobreviveram se filiaram em partidos de extrema-esquerda e até hoje destroem o país.
Eu não defendo ou defendi que se mate alguém por conta duma ideologia política, como querem fazer parecer. Eu disse que os comunistas terroristas, gente que pegou em armas para tentar implementar uma ditadura comunista no Brasil, estes sim, deveriam ter em confronto o mesmo fim de qualquer outro bandido, que é o que eles eram.
Sobre o protocolo, qualquer cidadão pode pedir a cassação de um vereador, é parte da democracia. Sobretudo agora, véspera de período eleitoral, é natural que a esquerda joseense e pré-candidatos em geral procurem projeção em cima do vereador que mais se opôs à esquerda e ao sistema, fazendo pedidos sem pé nem cabeça. Encaro com serenidade e sigo o meu trabalho.”
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