Fazendo brotar a esperança, o Instituto de Conservação Costeira (ICC), uma organização sem fins lucrativos, promove o reflorestamento de áreas impactadas pelos deslizamentos de terra em meio a tragédia de fevereiro de 2023 em São Sebastião.
O desastre humanitário e ambiental resultou na morte de 64 pessoas e deixou mais de 851 cicatrizes em uma área de cerca de 200 hectáres, de um dos biomas mais importantes do mundo, a Mata Atlântica.
A região mais atingida foi a Costa Sul da cidade, onde ficam os bairros de Boiçucanga, Juquehy, Jureia, Toque-Toque, Baleia e Barra do Sahy, sendo este último o epicentro da tragédia.

A partir de um projeto desenvolvido pelo ICC em parceria com as empresas Atlantica Consultoria Ambiental, que contabilizou os estragos e a Ambipar, que oferece serviços e produtos voltados à gestão ambiental, o plano de reflorestamento de São Sebastião começou em 2023.
Leia mais: VW do Brasil terá investimento de R$ 16 bilhões e produção de carro inédito em Taubaté
A Ambipar desenvolveu biocápsulas com sobras de colágeno da indústria farmêutica. Processadas em laboratório, elas recebem um mix de sementes de árvores e adubo orgânico feito com resíduos de papel e celulose.
“Com isso, elas em contato com o solo úmido, se dissolvem em cerca de 9 segundos e têm todos os componentes necessários para germinação mais rápida”, explica Fernanda Carbonelli, diretora executiva do Instituto.
A dispersão ocorre por meio de drones, com capacidade para até 6kg de sementes. A tecnologia facilita a execução do projeto, já que ocorre em áreas inacessíveis.
“Um plantio convencional não seria possível por conta do problema do solo, que é muito pobre em nutrientes devido ao grande impacto ambiental. Ainda temos a salinidade, o vento e alta declividade das áreas”, relata Fernanda sobre as dificuldades.
O primeiro plantio de 2024 aconteceu no mês de janeiro e outros estão previstos para ocorrer até abril deste ano. Depois disso, será feito monitoramento do desenvolvimento das árvores.
O projeto é financiado pela Concessionária Tamoios, por meio de um TCRA (Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental) e também por recursos doados ao Instituto por pessoas envolvidas na causa ambiental. O investimento total tem custo de R$ 3,5 milhões.
Acompanhe também: