Sol, chuva, vento, cansaço e até ferimentos, é o que os devotos de Nossa Senhora Aparecida enfrentam ao percorrem longos quilômetros a pé pela via Dutra, até chegarem ao Santuário Nacional.
É em São José dos Campos que começa o trajeto de fé de Cinthia Hellen, de 21 anos. Junto com o pai, Heliomar Osses, 52, ela caminha cerca 86 km desde os 13 anos. “É um momento muito bom e de reflexão, onde a gente consegue com mais tranquilidade, enxergar todas as áreas da vida“, conta a jovem.
A devoção teve origem na família logo no início do casamento dos pais de Cinthia, há 23 anos atrás. Eles não tinham condições para comprar uma casa e moravam de favor com o pai de Heliomar.”Eu e minha esposa sempre fomos devotos e pedimos que Nossa Senhora nos ajudasse a comprar a nossa casa, onde iríamos montar um altar com a imagem”, relatou o devoto, que após dois anos conseguiu comprar a casa com a esposa.

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A devoção não se limitou ao altar em homenagem à santa, mas é demonstrada em todos os anos por meio de romaria, em que pai e filha caminham juntos.
Cinthia considera a caminhada de 2023 como uma das mais desafiadoras. Isso porquê as mudanças climáticas fizeram com que ora enfrentassem sol, ora chuva.
A romeira passou por momentos de queda de pressão arterial, tornozelos e pés ficaram inchados como nunca antes, além do turbilhão de pensamentos sobre não ser capaz de seguir.”Chega um momento da caminhada em que, se fosse pelas forças humanas talvez nós não terminaríamos, mas passamos a ser sustentados e carregados até o Santuário por Nossa Senhora“, conta a jovem devota.
Já para o pai Heliomar, o caminhar é o completar de todos os desafios enfrentados durante o ano que incluem preparo físico, psicológico e financeiro, justamente para a romaria. Neste ano, ele estava resfriado, mas a saúde fragilizada não o fez parar. “As dificuldades são vencidas pelo amor e devoção que temos a Nossa Senhora“, afirma.
O percurso é feito em dois dias, sendo que a primeira caminhada é até Taubaté e a segunda à Basílica. Nesse meio tempo, eles param em pontos de apoio de voluntários que montam suas barracas a beira da rodovia Presidente Dutra, onde encontram comida, bebida e local para descanso, além de devotos para partilhar o momento.
Para eles, fazer a romaria até o Santuário é sinônimo de fortalecer a fé, vencendo a si mesmos e refletindo sobre todos os aspectos de suas vidas enquanto levam seus pedidos a santa.
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