Um vídeo divulgado pelo Sindicato dos Metalúrgicos mostra cerca de seis minutos da ação violenta de policias militares durante greve na fábrica da Embraer em São José dos Campos na última terça-feira (3).
No protesto, em que funcionários reivindicavam reajustes salariais e manutenção de direitos, dois homens foram presos. José Dantas Sobrinho, diretor do sindicato, e Ederlando Carlos da Silva, ativista do movimento Luta Popular, ficaram mais de 24 horas detidos no Centro de Detenção Provisória do Putim.
Segundo o sindicato, eles foram autuados por atentado contra a liberdade de trabalho, resistência e associação criminosa.

As imagens da ação da PM foram compartilhadas na tarde desta quinta (5) no Instagram do Sindicato dos Metalúrgicos. Primeiro a associação publicou um vídeo que mostrava apenas parte das intimidações policias.
Por volta das 16h, porém, o sindicato divulgou na íntegra a gravação que mostra agressões dos policiais. No vídeo, registrado pelo próprio José Dantas, os manifestantes questionam a repressão dos agentes e alegam presenciar “abuso de autoridade”.
A discussão principal na gravação girou em torno de dois carros que o grupo estacionou em frente ao portão de uma das entradas da Embraer, que bloqueava o acesso a um estacionamento na empresa. De acordo com o a organização sindical, tratava-se de um portão secundário que não era tão usado para a entrada dos trabalhadores na fábrica.
Em certo momento os manifestantes falam no “direito de fazer greve”, quando um policial responde argumentando que a ação não se tratava de uma greve. O grupo se recusava a tirar os veículos do local.
“Onde eu falei que você não pode fazer greve? Isso aqui é fazer greve? Bloquear entrada é fazer greve? Não vai bloquear aqui e acabou”, diz o oficial.
Um dos homens retruca dizendo que o policial “estava estressado” e reclama do tratamento dado ao grupo, e então o PM enfatiza:
“Estou estressado mesmo. ‘Tô’ estressado mesmo. Com quem não respeita a lei é assim mesmo”.
Ao longo dos de 5 minutos e 47 segundos de vídeo, há momentos de diálogo dos policiais com os militantes e outros de uso da violência, com socos e outros tipos de agressões, incluindo aplicação de spray de pimenta no rosto de alguns dos grevistas.
Os registros se encerram quando Ederlando era colocado pelos PMs em uma viatura. Ele teve a camiseta rasgada e teve hematomas no rosto identificados no exame de corpo delito no dia da prisão.
Dantas, que filmava com um celular, pergunta para onde os policiais iriam levar o ativista e na sequência recebe como resposta de um dos oficiais: “você vai também”. Nesse momento, o policial segue em direção ao sindicalista, toma o celular e acaba com a filmagem.
O Sindicato dos Metalúrgicos afirmou que “vai tomar todas as medidas cabíveis diante da gravidade dos fatos”.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse que os policiais militares foram hostilizados enquanto acompanhavam a manifestação. A SSP também indicou que um PM foi ferido na ação e foi necessário o emprego de força para conter Dantas e Ederlando. Veja o comunicado na íntegra:
“A Polícia Militar esclarece que no último dia (03), por volta das 15h30, realizava o acompanhamento de uma manifestação em frente a uma empresa, localizada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São José dos Campos. Durante o ato, a PM informou a manifestantes sobre a ilegalidade de obstrução da entrada de uma das portarias, momento em que cerca de 10 pessoas passaram a hostilizar os policiais. Um PM foi ferido e foi necessário o uso de força para conter dois homens que foram detidos e conduzidos à delegacia, posteriormente, permanecendo à disposição da Polícia Federal, que autuou ambos em flagrante”.
Sobre a greve na Embraer
Cerca de cinco mil funcionários cruzaram os braços em greve na manhã da última terça-feira (3) na fábrica da Embraer em São José dos Campos.
A paralisação era por aumento salarial e manutenção de direitos. De acordo com os trabalhadores, desde 2017 a companhia não concede um reajuste acima da inflação.
A companhia propôs um reajuste de 4,06% nos salários, mas a proposta foi recusada pelos funcionários. Segundo afirmou a Embraer ao Portal SP RIO+, esse reajuste salarial, que corresponderia a 100% da inflação no período, foi concedido aos funcionários que recebem salários de até R$10 mil.
Já para os que recebem vencimentos acima desse valor, foi estabelecido um acréscimo fixo de R$ 406, conforme proposta apresentada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que representa as empresas do setor.
As negociações entre Fiesp e entidades sindicais continuam.
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