A Inteligência Emocional está próxima de virar matéria obrigatória na educação básica no estado de São Paulo e o assunto traz a reflexão sobre quais os impactos que a medida pode ter na formação dos alunos se virar lei e como será aplicada na prática.
Aguardando sanção do governador do Tarcísio de Freitas, a proposta de autoria da deputada Letícia Aguiar (PL) argumenta que a educação socioemocional contribui para uma adesão mais expressiva a valores de justiça, solidariedade, respeito e convivência harmoniosa entre os alunos.

Na visão da psicóloga escolar da Unitau (Universidade de Taubaté) Fernanda Fraga, a intenção de implantar a disciplina nas escolas é importante.
Ela considera que há uma grande demanda por um trabalho preventivo em saúde mental que ajude os alunos a desenvolver competências que vão para além dos conteúdos acadêmicos já ensinados tradicionalmente.
No entanto, a psicóloga avalia que a lei não esclarece quem administraria os conteúdos, o que gera preocupações.
“Um ponto de atenção é que a lei não menciona a formação que deverá ser oferecida para o profissional que irá ministrar essa disciplina. O que pode gerar uma situação de ela sobrar para o professor que tem disponibilidade na carga horária, mas não necessariamente domina os conteúdos”.
Ela também defende que, pelos tópicos que aborda, a matéria seja administrada por um psicólogo.
“É uma disciplina que precisa também ter objetivos muito claramente estabelecidos, para que os temas sejam trabalhados com a seriedade que demandam”.
Essa atenção de Fernanda à forma que a matéria seria implementada é compartilhada pelo filósofo e professor Cesar Augusto Eugenio, diretor do curso de pedagogia da Unitau. Para ele, os maiores riscos ao se ter uma disciplina do tipo estão na base teórica do conteúdo que vai ser passado em sala de aula.
“O problema está na base teórica. Quando eu penso numa disciplina fragmentando seu conteúdo da sua base científica, isso se torna um risco. Seria uma conquista muito maior aprovar essa discipina Psicologia e dentro dessa matéria, dar ênfase à Inteligência Emocional”.
Cesar compara o projeto de inclusão da Inteligência Emocional na grade curricular com a incorporação do programa “Projeto de Vida” no novo ensino médio, no ano passado.
A disciplina oferece apoio pedagógico para os alunos descobrirem suas vocações. Nas aulas e por meio de diversas atividades, professores ajudam os estudantes a elaborarem estratégias para alcançar seus objetivos pessoais e profissionais.
No entanto, a legislação que inclui a matéria no plano de ensino das escolas também carece de detalhes e deixa ainda alguns pontos em aberto, como a definição do tipo de profissional que dá a aula.
“Esse ponto é um desdobramento de uma discussão que já tem acontecido em relação à disciplina Projeto de Vida. Ela também deveria ter uma base teórica mais ampla, um complexo epistemiológico mais amplo. Também vindo da psicologia ou da filosofia. Na ausência disso, o que a gente vê: uma gama muito grande de professores que podem assumir a disciplina sem a coompreensão devida dessa base científica”.
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