A temporada de pinguins no Litoral Norte de São Paulo está oficialmente iniciada, segundo informou o Instituto Argonauta nesta sexta-feira (30).
De acordo com o instituto, equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos realizaram os primeiros atendimentos relacionados a pinguins em Ubatuba e São Sebastião nesta última semana do mês de junho. Houve também relatos de pinguins vistos vivos e mortos em Ilhabela.

Embora a temporada de aparição de pinguins tenha começado em junho, o Instituto Argonauta prevê que o auge aconteça entre julho e agosto e pode se estender até o mês de outubro.
Um pinguim-de-magalhães foi resgatado no último domingo (25) pela equipe do Argonauta na Barra do Una, em São Sebastião, e agora está recebendo cuidados especiais no Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) em Ubatuba.
A impressão que muita gente tem é que o litoral brasileiro parece não ser o lugar desses animais. O instituto afirma, no entanto, que o aparecimento de pinguins na costa brasileira é bastante comum, pois todos os anos eles se lançam ao mar em busca de alimento.
O movimento migratório é bem longo. Os pinguins saem da Patagônia Argentina e Ilhas Malvinas, no extremo sul do continente, onde existem colônias de reprodução.
No caminho, porém, alguns acabam se perdendo do grupo e são encontrados em nossas praias. Essas migrações são influenciadas pela disponibilidade de alimento nas águas costeiras.
“É neste período que esses animais são encontrados, muitas vezes fracos, debilitados e necessitando de cuidados. Aqui na região, estes animais são resgatados e encaminhados para o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Ubatuba, para que depois de reabilitados sejam devolvidos à natureza”, explicou Hugo Gallo Neto, oceanógrafo e presidente do Instituto Argonauta.
Pinguins-de-magalhães
Os pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) são aves marinhas adaptadas para viver na água, com asas transformadas em nadadeiras, porém incapazes de voar.
Sua dieta é composta principalmente por peixes, polvos, lulas e pequenos crustáceos.
Leia mais: 63 baleias foram avistadas em Ilhabela até a primeira metade de junho
Essas aves são habilidosas predadoras na água, utilizando suas nadadeiras e bicos para capturar suas presas. De acordo com o Argonauta, os pinguins-de-magalhães não são animais polares e, portanto, não estão adaptados a baixas temperaturas.
De acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas (em inglês, IUCN Red List ou Red Data List), o pinguim-de-magalhães está classificado no grupo “segura ou pouco preocupante”, que é a categoria de risco mais baixo.
O que fazer se encontrar um pinguim
Como neste período do ano o avistamento de pinguins no Litoral Norte é mais comum, o Instituto Argonauta preparou uma lista com recomendações sobre o que uma pessoa pode fazer caso encontre um deles por aí passeando ou nadando:
- Se o animal estiver nadando, não se aproxime;⠀⠀⠀⠀⠀
- Se ele estiver tentando sair da água, dê espaço, afinal ele pode estar cansado.
- Caso o pinguim esteja na areia, é necessário chamar a equipe de atendimento;
- Não puxe o animal, pois ele pode se sentir ameaçado;
- Não tente devolver o pinguim à água. Se ele veio para a areia, precisa descansar e de cuidados;
- Isole a área para manter o animal afastado de curiosos, cachorros e urubus;
- Não o coloque em contato com o gelo ou dentro do isopor;
- Não estresse o animal e nunca tente alimentá-lo;
- Fotografe sem flash, pois toda informação é importante para auxiliar na preservação destes animais;
Cuidados com a gripe aviária
Ainda que os pinguins atendidos pelo Argonauta não tenham apresentado sintomas de gripe aviária, o instituto afirma que os procedimentos de cuidado devem ser rigorosamente seguidos para que os animais não sejam contaminados.
Além de não se aproximar do animal, ao encontrar uma ave morta ou viva debilitada, a orientação para garantir segurança em relação a gripe aviária é ligar para as organizações responsáveis.
Em caso de aves marinhas, deve ser acionado o Instituto Argonauta nos números 0800-642-3341 ou (12) 99785-3615.
Em caso de aves terrestres, o contato acionado deve ser a Vigilância Sanitária do município.
Acompanhe também: