A música joseense tem muita história e o bandolinista Jorge Israel, o “Jorge do Bandolim”, com certeza tem grande participação nela. O músico é o nosso convidado deste episódio do podcast Talk+.
Filho de Avelino Israel de Souza e Maria José de Souza, Jorge nasceu em 4 de agosto de 1929 em Cruzeiro, mas teve sua vida e carreira estabelecidas em São josé dos Campos. Vindo de uma família de músicos, teve em seu pai e tios suas grandes inspirações. Autodidata, Jorge, no entanto, nem sempre teve a música como foco principal. Ele também é alfaiate e fez seu nome na alfaiataria joseense.
“Todos nós imitamos, é assim que aprendemos. Meu pai ja era músico, meu tio também, a família toda né. Meu pai fazia reuniões com músicos e eu ficava assistindo, tanto que até hoje tem musicas de meu pai que eu peguei de ouvido e até hoje toco”, disse Jorge ao ser questionado sobre seu interesse pela música.
A declaração foi dada ao Portal SP RIO+ nesta semana. A entrevista completa está disponível no YouTube, no Spotify e ao final desta matéria.

A vida de Jorge
O artista falou que apesar de ter nascido em Cruzeiro, considera São José dos Campos como sua cidade.
“Toda essa vivência foi em São José. Eu vim de Cruzeiro bebêzinho e vim crescer em São José, tanto é que eu considero como minha. Aqui tive meus filhos e aqui me afirmei”, disse ele.
Apesar de ter 7 filhos, apenas um deles seguiu a mesma carreira de Jorge do Bandolim. Ana Morena é a única filha de Jorge Israel que virou artista profissional e é conhecida na cidade.
Jorge Israel comentou que já tocou em todo lugar possível de São José, inclusive o Parque Vicentina Aranha, que era um sanatório. Ele também comentou sobre as apresentações nas rádios, e segundo ele, tocava as músicas que o público pedia, como valsas.
Atualmente, o Parque teve o Pavilhão Marina Crespi restaurado e uma das salas é nomeada de Jorge Israel.
“Todo homem é vaidoso né, eu tenho uma certa vaidade e valorizo muito a ideia das pessoas que tiveram essa consideração comigo, ainda que estou aqui, porque não vão fazer depois né”, explicou.
Música e alfaiataria
Quando questionado sobre as diferenças da música de sua época para a música atual, Jorge citou o fator econômico como destaque.
“Na nossa época, nós não tocavamos por dinheiro, nós tocavamos porque gostavamos, hoje se tornou profissão. Nós tocavamos por amor à arte, é como o futebol também, que se jogava por amor”.
Aos 93 anos, ele segue tocando e comentou sobre o sentimento de tocar até hoje como “liberdade”.
“Ontem mesmo estive tocando, porque você tem uma certa liberdade com o instrumento porque se ficar dois meses sem pegar o instrumento, você perde um pouco o contato e fica ruim e aí você tem que começar tudo de novo. Então de repente, se eu sou chamado pra tocar, não sabem se estou tocando”.
Para Jorge Israel, o músico é um poeta, assim como o letrista. Segundo ele, não se faz uma letra que não tenha um significado emotivo. Ele também diz que não faz músicas tristes, são letras do dia a dia e a felicidade ajuda na composição, que sai de forma natural.
Ele também é alfaiate e disse que se interessou pela arte por conta de seu pai. Jorge disse que andava bem vestido e sempre cheio de amostras de tecido em sua pasta.
“É uma questão de cultura, e um amigo meu me perguntou se eu ainda gosto de trabalhar e eu disse que gosto, porque o homem tem que fazer tudo com gosto. Se nós estamos sendo aperfeiçoados, temos que aperfeiçoar as coisas que fazemos também, então meu freguês não era uma pessoa ruim. Eu corrigia as roupas e nas próximas eu ja ia aprendendo”, afirmou Jorge
Assista á entrevista de Jorge Israel na íntegra:
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