Recém-nomeado delegado responsável pela Polícia Civil no Vale do Paraíba, Waldir Covino defendeu o aumento do efetivo policial na região como uma forma de melhorar os números referentes à criminalidade. Segundo ele, a medida é “absolutamente necessária”.
A declaração foi dada na última sexta-feira (31) aos jornalistas Matheus Andrade e José Guilherme Ferreira, do Portal SP RIO+. A entrevista na íntegra está disponível no YouTube e no Spotify.
Com cerca de 1300 policiais civis, o atual efetivo policial do Vale do Paraíba é considerado baixo pelo delegado.

“Se falarmos da realidade da Polícia Civil, certamente já se ouviu aqui na região – e é verdade – que temos um quadro reduzido, considerando aquele que seria o quadro ideal. […] Ainda que as ferramentas tecnológicas nos permitam agir com a menor quantidade de pessoas, este número precisa ser revisto no sentido de preencher quadros”, destacou Waldir Covino.
Como uma forma de estimular o aumento do efetivo na região, o delegado destacou os concursos públicos que estão em andamento no estado de São Paulo para as funções de escrivão, investigador, delegado e médico legista. Além deles, Waldir garantiu que outros concursos já foram autorizados pelo Governo.
“Essa é uma realidade do estado inteiro. O governo tem consciência disso e tem demonstrado uma preocupação muito grande em preencher estes quadros. […] Qual o objetivo? No menor espaço de tempo selecionar esse pessoal para que a gente possa, efetivamente, preencher os quadros necessários”.
Violência no Vale do Paraíba
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o Vale do Paraíba registrou aumento no número de mortes violentas em 2022 em relação a 2021. O número chegou a 344. O furto de veículos na região também teve um aumento de 29% no período.
A região segue com um dos piores números do interior paulista.
Por outro lado, o delegado Waldir Covino garantiu que a Polícia Civil tem atuado para contornar o problema.
“Nós vamos muito além dos dados estatísticos para buscar identificar detalhes da manifestação criminológica aqui na região. Uma coisa que nós já identificamos é que nós temos, em algumas cidades da região, índices de crimes violentos preocupantes, principalmente homicídio. O que a gente verifica naquele contexto é que grande parte daqueles crimes tiveram origem em algum problema familiar”, pontuou.
A análise tem o objetivo de traçar um perfil dos criminosos, de modo a identificar as motivações de seus atos.
“Essa primeira constatação já nos revela uma preocupação importante: nós estamos diante de um contexto em que lidamos com pessoas que atuam com uma cultura de violência. São pessoas que resolvem seus conflitos desta maneira, dentro e fora de casa”, explicou.
Formação humanística
Ainda durante a entrevista ao Portal SP RIO+, Waldir Covino defendeu uma formação humanística para os agentes policiais. Segundo ele, a preocupação já é uma realidade no estado.
Com mais de 30 anos de experiência como professor da Academia de Polícia de São Paulo, o delegado disse que o processo de capacitação tem evoluído constantemente.
“Hoje é um processo muito mais evoluído do que era naquela época, também em função da evolução desse conjunto de fatores que nós estamos analisando aqui. Não é que na época não se dava importância para isso. Mas a realidade era outra, o mundo e a resposta eram outros”, disse o delegado da Polícia Civil no Vale.
Segundo ele, além da preocupação com a vítima afetada, há também uma preocupação com o agente infrator com o objetivo de definir melhor a sua punição.
“Essa preocupação não é recente. Ainda que a gente esteja lidando com uma pessoa com problemas de desrespeito com a lei, essa pessoa tem referências humanas que não só nos interessam para entendermos o fenômeno criminal, mas para definirmos a resposta adequada para esta pessoa. Eu posso ter dois criminosos que praticaram crimes semelhantes, mas em função deste conjunto de fatores que são estudados, se identifica que a resposta para um deve diferente para a resposta do outro. Resposta em termos de medida punitiva”, explicou.
Polícia Civil no Vale
Waldir Antônio Covino Júnior foi nomeado diretor do Deinter-1 no início de janeiro de 2023, substituindo Jair Barbosa Ortiz, que estava na função desde janeiro de 2022. A troca aconteceu após a posse do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
No início de seu mandato, o governador nomeou Artur José Dian para o cargo de Delegado Geral da Polícia Civil do estado.
Em seguida, Dian escolheu o delegado Waldir Covino para o comando da Polícia Civil no Vale do Paraíba.
Waldir Covino se formou em Direito em 1987 e ingressou na carreira policial um ano depois, em 1988, no município Barra do Turvo.
É professor da Academia de Polícia do estado de São Paulo e de cursos de graduação.
Ao longo dos anos, atuou em diversas cidades, como Taboão da Serrra, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo e capital paulista.
Confira a entrevista com Waldir Covino na íntegra:
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