Na data em que é celebrado o Dia Mundial da Prevenção de Colo do Útero, 26 de março, um dado preocupa os profissionais de saúde: o Brasil está abaixo da meta de vacinação contra o HPV (Papilomavírus humano) em todas as capitais e regiões do país.
Os dados fazem parte de um estudo da Fundação do Câncer; o período analisado na pesquisa foi de 2013 a 2021, em meninas com idade entre 9 e 14 anos, e entre 2017 e 2021, em meninos de 11 a 14 anos.
Os números mostram que a cobertura está abaixo do estabelecido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O levantamento indica que até 2030, o Brasil provavelmente não atingirá a meta necessária para erradicar a doença no país.
A cobertura vacinal varia de região para região.
O Norte é onde há menor vacinação, tanto para primeira como para a segunda dose.
Nas meninas, a imunização chega a 50,2%. Entre os meninos, o percentual é de somente 28,1%.
Além disso, foi a região com mais mortes por câncer de colo de útero, entre 2016 e 2010: 9,6 por 100 mil mulheres, contra a média brasileira de 6 a cada 100 mil mulheres.
Enquanto isso, o Sul é o que mais se aproxima da meta estabelecida (87,8%) na primeira dose em meninas.
No entanto, é também onde há mais absenteísmo na segunda dose: 25,8% entre as mulheres e 20,8% entre os homens.
Entre as capitais, por exemplo, Belo Horizonte foi a única que apresentou a cobertura vacinal feminina acima de 90% na primeira dose.
Em seguida, Curitiba aparece com 87,7% e 68,7% (dose inicial e reforço) e Manaus, com 87,0% e 63,2% (primeira e segunda doses).
O estudo completo pode ser conferido aqui.
Desafios para atingir a meta de vacinação contra HPV
Um dos principais desafios e que contribui para este cenário é o fato de que há muita desinformação sobre a vacina contra o HPV.
Há casos em que os pais ignoram o fato de que vacina previne contra o câncer de colo do útero e não incita o início da vida sexual antes do tempo.
Além disso, a proteção para os meninos está relacionada à prevenção contra o câncer de pênis, de orofaringe, câncer de boca, de ânus, entre outros tipos. Na mulher, a imunização também evita câncer de vulva, vagina, faringe, boca.
A vacina está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninos e meninas de 9 a 14 anos, em esquema de duas doses, e para mulheres e homens transplantados, pacientes oncológicos, portadores de HIV, de 9 a 45 anos, em esquema de três doses.
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