Uma pesquisa da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, mostrou que pessoas que passam por dificuldades emocionais (como depressão, estresse, transtornos pós-traumáticos e outros distúrbios mentais) podem ter maiores problemas na memória.
O estudo foi realizado por um grupo de cientistas que fez testes com voluntários, por meio da observação de atividades neuronais de alta frequência. O artigo foi publicado na revista Nature Human Behavior.

Nas análises foi observado a relação entre o processo de memorização com as emoções.
Segundo Rafael Ruggiero, professor colaborador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador na área de Neurociências, com enfoque em psiquiatria, sabe-se que “temos tendência a manter memórias que têm um conteúdo emocional mais relevante muito mais facilmente e por muito mais tempo”. No entanto, a novidade do estudo foi “indicar um mecanismo que poderia estar subjacente a essa formação de memória emocional”.
Apesar de não ter feito parte da pesquisa, o profissional esclareceu que os testes foram baseados com a memorização de uma lista de palavras. Ele deu um exemplo prático, “…tanto palavras com saliência emocional, como, por exemplo, ‘casamento’, ‘faca’, ‘cachorro’ e palavras mais neutras, como ‘bolsa’, ‘mala’, ‘relógio’, que não suscitam tantas emoções”.
Logo em seguida, o pesquisador comenta que foi dada uma tarefa matemática para causar certa distração nos pacientes. Alguns segundos depois, os voluntários precisariam lembrar das palavras.
“O que eles notaram foi uma correlação forte entre o conteúdo emocional da palavra e a probabilidade dela ser lembrada”.
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Além disso, durante o projeto, as avaliações foram feitas em pacientes com epilepsia submetidos à gravação intracraniana direta para localização e tratamento de convulsões.
Nessas gravações, as pessoas guardaram as listas de palavras, enquanto eletrodos registravam a atividade elétrica do cérebro, colocados no hipocampo e na amígdala.
“Esses pacientes foram importantes para que os pesquisadores pudessem observar e registrar atividades intracerebrais”, explica Ruggiero.
Resultados
Os cientistas da Universidade de Columbia chegaram à conclusão que as ondas cerebrais de alta frequência na amígdala, um centro de processos emocionais, e no hipocampo, um centro de processos de memória, são essenciais para melhorar a memória para estímulos emocionais.
Quando há interrupões neste processo, provocada pela estimulação cerebral elétrica ou depressão, é causado um prejuízo à memória especificamente para estímulos emocionais.
Sabendo que o armazenamento de memórias acontece por meio da interação entre a amígdala e o hipocampo, os pesquisadores traçaram uma hipótese do porquê pessoas com transtornos pós-traumáticos e depressão possuem mais dificuldades em processar novos dados.
Mas, de acordo com o neurocientista, esse mecanismo neuronal pode ser utilizado a favor de novos tratamentos.
“Ele pode ser utilizado, por exemplo, para fortalecer algumas memórias em casos de pacientes com Alzheimer ou pacientes com demência.”
Por fim, Ruggiero avalia que o contrário também pode ser feito, ao impedir as atividades de alta frequência para que os eventos traumáticos sejam suavizados.
“Talvez, se reduzirmos o efeito dessas memórias altamente emocionais, possamos reduzir também parte desses sintomas em casos de transtorno de estresse pós-traumático”.
*Matéria realizada com informações do Jornal da USP
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