O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que quer trabalhar em conjunto com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita nesta segunda-feira (13), durante rara entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
Campos Neto foi indicado ao cargo ainda durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Ele ficará na função até 2024.
Durante a entrevista, o economista garantiu que não terá atuação política e reforçou a independência do Banco Central.

Os jornalistas o questionaram sobre ter ido votar nas eleições de 2022 com uma blusa da Seleção Brasileira de Futebol, símbolo de apoio adotado por bolsonaristas. Em resposta, ele disse que o voto é “privado”. A pergunta foi feita por Alex Ribeiro, do Valor Econômico.
“O voto eu acho que é um ato privado, eu não quero me alongar muito. Já tentei diferenciar aqui o que que é a vida privada e o que é a vida pública. Acho que o importante é a gente pensar nas coisas que foram feitas no Banco Central e como eu atuei com a autonomia”, disse.
Ele também comentou sobre a alta da taxa básica de juros em 2022, que terminou o ano em 13,75%.
“Se o Banco Central tivesse leniente, se quisesse participar politicamente, não teria subido os juros, teria até feito até uma política para estourar a inflação para frente, mas foi uma coisa que não fez”, afirmou.
Além disso, ainda durante a entrevista ao Roda Viva, ele reforçou que é contra uma mudança nas metas de inflação. Segundo ele, uma possível alteração poderia ter o efeito contrário ao desejado sobre os juros.
“Se mudar a meta, vai ter o efeito contrário. O mercado vai pedir um prêmio de risco maior ainda. […] Em vez de ganhar flexibilidade, vai acabar perdendo flexibilidade. Não existe ganho de credibilidade aumentando a meta”, disse.
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Críticas vindas do PT
Recentemente, o presidente Lula falou em rever a autonomia do Banco Central. O petista cogita reavaliá-la depois do fim do mandato de Campos Neto, previsto para 2024.
Segundo o chefe do Executivo, a taxa de juros alta é atirbuída à autonomioa do Banco Central.
Ainda na segunda-feira (13), o PT aprovou uma resolução que recomenda as bancadas da Câmara e do Senado a convocarem Campos Neto para explicar a taxa básica de juros. O texto ainda não prazo para ser votado.
Entretanto, deputados aliados reconhecem a dificuldade da medida, já que precisariam de amplo apoio dos partidos.
Agenda
Na próxima quinta-feira (16), o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reunirá. O encontro poderá discutir a meta de inflação que, em 2023, é de 3,25%. Para os anos seguintes, o a meta é de 3%.
O CMN é formado pelos ministros da Fazenda, Fernando Haddad (PT); do Planejamento, Simone Tebet (MDB); e por Campos Neto.
Sobre Campos Neto
Antes executivo do mercado financeiro, Campos Neto foi convidado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para ficar à frente do Banco Central a partir de 2019.