O presidente Lula (PT) foi alvo de seu primeiro pedido de impeachment nesta quinta-feira (26). O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) protocolou o pedido declarando crime de responsabilidade ao tratar a retirada de Dilma Rousseff (PT) do poder como golpe, em 2016.

“Ao afirmar em discurso oficial e público que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe de Estado, Lula atenta contra os Poderes e contra a Constituição Federal”, alega o autor do requerimento no documento enviado ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP).
De acordo com o deputado, isso seria uma afirmação mentirosa, já que o procedimento de impeachment da ex-presidente ocorreu dentro dos limites da legislação brasileira.
Além disso, o PSDB também moveu uma ação contra o presidente e denunciou o petista pelo posicionamento. Em suas redes sociais, o partido declarou que a fala de Lula é “um discurso extremista e incentiva o ataque a instituições”. O PSDB deseja que o termo “golpe” não seja mais usado pelos veículos de comunicação oficiais do novo governo ao se referir ao impeachment.
A oficialização do pedido de impeachment também foi comentada pelo deputado Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente. O deputado postou em suas redes sociais que “não vamos dar descanso”.
O pedido menciona as falas de Lula em sua visita a Argentina e ao Uruguai, onde se referiu sobre saída de Dilma Rousseff da presidência como golpe de Estado.
“Vocês sabem que depois de um momento auspicioso no Brasil, quando governamos de 2003 a 2016, houve um golpe de Estado”, disse Lula, na Argentina.
Mais tarde, o presidente voltou a se referir ao impeachment de Dilma ao chamar Michel Temer, ex-presidente que assumiu o país em 2016, de golpista.
Em nota, Michel Temer (MDB) se defendeu dizendo que Dilma não sofreu golpe e que foi aplicada “a pena prevista para quem infringe a Constituição”.
“Mesmo tendo vencido as eleições para cuidar do futuro do Brasil, o presidente Luis Inacio Lula da Silva parece insistir em manter os pés no palanque e os olhos no retrovisor, agora tentando reescrever a história por meio de narrativas ideológicas”, declarou Temer em seu Twitter.